Início » Ingredientes » Desodorantes e Antitranspirantes – Parte 6
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Em 2010, escrevi uma sequência de 5 textos sobre os desodorantes e antitranspirantes (leia aqui a parte 1, parte 2, parte 3, parte 4 e parte 5). No entanto, naquele momento ainda não estava disponível e presente no mercado como atualmente, os complexos de alumínio-zircônio com glicina. Por isso, anos depois, atualizo a sequência com este novo texto: a parte 6. Além de tratarmos dos complexos com glicina, vou apresentar também outras alternativas aos antitranspirantes, mas que ainda não são encontradas no mercado brasileiro.

Conheça outralternativas aos antitranspirantes.
Foto: Ambro / FreeDigitalPhotos.net

Os complexos AZG (alumínio-zircônio-glicina)

O AZG é obtido pela reação do cloridrato de alumínio com cloreto de zircônio. Esta reação, em presença do aminoácido glicina leva à obtenção dos complexos ZAG. Estes ativos antitranspirantes foram desenvolvidos especialmente para formulações anidras, ou seja, que não contém água e apresentam maior redução na sudorese quando comparados ao cloridrato de alumínio. A nomenclatura internacional dessa classe de antitranspirantes apresenta quatro tipo: Aluminum Zirconium Tetrachlorohydrex GLY, Aluminum Zirconium Trichlorohydrex GLY, Aluminum Zirconium pentachlorohydrex GLY e Aluminum Zirconium octachlorohydrex GLY.

A concentração máxima permitida é de 20% de alumínio e de zircônio anidro e 5,4% de zircônio. Além disso, a relação entre o número de átomos de alumínio e de zircônio deve estar compreendida entre 2 e 10. Bem como a relação entre a soma dos átomos de alumínio e zircônio e o número de átomos de cloro deve estar compreendida entre 0,9 e 2,1. Eles não são permitidos em aerossóis e sprays.

Outros ativos para controlar o suor nas axilas

Ao efetuar uma busca rápida por outros ativos que auxiliem no controle do suor (e mau odor) das axilas, encontrei várias alternativas sem alumínio e me deparei com uma triste realidade brasileira: a variedade é quase zero. Muitos dos produtos os quais verifiquei a composição em duas farmácias no Rio de Janeiro ainda utilizavam o cloridrato de alumínio (aluminum chlorohydrate), o sesquicloridrato de alumínio (aluminum sesquichlorohydrate) e os mais caros utilizam um AZG (Aluminum Zirconium Trichlorohydrex GLY).

Encontrei na literatura científica, relatos do ingrediente octylacrylamide/acrylate copolymer, mas não encontrei nos fornecedores locais (nem nos internacionais) qualquer informação sobre esse ingrediente e sua aplicação em desodorantes e antitranspirantes. Ele formaria um filme oclusivo que impediria a passagem do suor e diminuiria a irritação cutânea. Então seu uso seria recomendado também para produtos pós-depilação (tanto das axilas quanto no restante do corpo).

Mas, como toda busca tem um resultado, segue abaixo uma tabela com algumas alternativas para formular produtos com apelo natural:

Alternativas para controlar o odor das axilas em produtos naturais ou orgânicos:

Modo de ação Ingredientes funcionais
Mascarar odor Fragrâncias óleos essenciais, vanilina, mentol.
Eliminar o odor Argilas (caulim, bentonita), amido de milho, araruta, bicarbonato de sódio, fermento de saccharomyces (enzimas).
Prevenir o odor (antimicrobianos, bacteriostáticos) Óleos essenciais antimicrobianos (melaleuca, capim-limão, orégano, satureja, menta piperita)e componentes de fragrância (terpinen-4-ol, isoeugenol, hinoquitiol);
Extratos de plantas (musgo de carvalho, humulus, hammamelis);
Sais metálicos (alúmen, sais de zinco);
Derivados de ácidos graxos láurico, cáprico, caprílico e undecinênico;
Ésteres hidrolisáveis (citrato de trietila e salicilato de benzila).

Algumas matérias-primas disponíveis como alternativa no controle do odor sem ação antitranspirante:

Ingrediente Descrição
Amiderm ER
(Alban Muller)
INCI: Glycerin (and) Water (aqua) (and) Hamamelis Virginiana (Witch Hazel) Bark Leaf Extract (and) Quercus Infectoria (Oak) Gail Extract (and) Arginine (and) Leucine

Complexo que protege contra irritação inflamatória e previne o dor desagradável associado à transpiração. Estabiliza o pH natural da pele.

Hydagen C.A.T
(Basf)
INCI: Triethyl citrate

Utilizado como um desodorante não microbicida em sabonetes e desodorantes stick de pH alcalino.

Hydagen DCMF
(Basf)
INCI: Chitosan

Usado em Skin Care como agente desodorante, possui atividade antimicrobiana e previne a produção excessiva de substâncias formadoras de odor.

Tegodeo HY 77
(Evonik)
INCI: Zinc Ricinoleate (and) Triethanolamine (and) Dipropylene Glycol (and) Lactic Acid

Utilizado em desodorantes por oferecer boas propriedades desodorizantes.

Tegodeo PY 88
(Evonik)
INCI: Zinc Ricinoleate

Utilizado em desodorantes por oferecer boas propriedades desodorizantes.

Opinião do autor:

sempre faltará informação para ser acrescentada, mas essa série de textos sobre desodorantes e antitranspirantes não podia ficar sem essa atualização. Busquei apresentar esse ingrediente de uso mais recente no Brasil e propor alternativas naturais que possam sustentar o desenvolvimento de desodorantes e até antitranspirantes naturais e orgânicos. Uma esperança para quem sofre com dermatites quando usa a maioria dos antitranspirantes comuns de mercado.

Fonte:
Cosmetics & Toiletries magazine, Vol. 127, n.2, February, 2012, p.94-99.SCHREIBER, Jörg. Antiperspirants. In: BAREL, AO; Paye, M; MAIBACH, HI. Handbook of Cosmetic Science and Technology. 3rd Ed. New York: Informa Healthcare, 2009. p.632-3.
Tannin pH Stabilization Against Odors and Irritation from Alban Muller. Acesso em 29 ago 2013.
Gustavo Boaventura

Gustavo Boaventura

Diretor de Conteúdo
Farmacêutico Industrial pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Especialista em Pesquisa & Desenvolvimento de Produtos Cosméticos. Mestre em Comunicação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) com foco no consumo de cosméticos masculinos. Experiência em Pesquisa & Desenvolvimento de produtos capilares.
É o idealizador e criador do Cosmética em Foco e escreve desde 2007.

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comentários

    • Olá Bruna, obrigado por seu comentário. Estamos revisando esse tema e em breve teremos um texto específico sobre ele.

  • Gostei muito da matéria, parabéns! Gostaria apenas de acrescentar que está disponível no Brasil alguns desodorantes livres de alumínio, contendo citrato de trietila e ainda mantém o ph da pele em 5.5 que é o ideal para uma pele saudável, ideal para pessoas alérgicas aos desodorantes disponíveis.
    Além desse que está no link abaixo, tem outros também.

    http://www.lojadermadream.com.br/desodorante-rolon-fresh-ph5-5-sebamed-50ml-p111/

  • Olá! Recentemente, lendo um manual do Ministério da Saúde me deparei com a seguinte informação: “OS ADJUVANTES São substâncias presentes na composição de algumas vacinas e que aumentam a resposta imune dos
    produtos que contêm micro-organismos inativados ou seus componentes (por exemplo: os toxoides tetânico e diftérico). Não são utilizados em vacinas que contêm micro-organismos vivos. OS SAIS DE ALUMÍNIO são os adjuvantes mais utilizados em vacinas para o uso humano”. (2014, MINISTÉRIO SAÚDE; Manual de normas e procedimentos para vacinação. pg 23). Buscando tal informação a respeito dos sais de alumínio encontrei esse site. São as mesma substancias? Caso seja, acredito que a administração desse componente por via subcutânea seja bem mais nocivo a saúde do que o uso tópico. Estamos expostos a está substancia muito mais do que imaginamos.

    • Olá Natália! Obrigado pelo comentário. Não sou especialista em vacinas, mas normalmente os adjuvantes de vacinas são sais mais simples como o cloreto de alumínio. Estamos frequentemente expostos a diversos riscos no dia a dia, em relação aos ingredientes usados nos produtos sujeitos à regulação sanitária (cosméticos, alimentos, vacinas, medicamentos etc.), na maioria das vezes, seu uso é restrito a uma quantidade sabidamente segura para uso. O mais importante é a dosagem, não a presença da substância. Até a água pode ser tóxica se ingerida em quantidade acima da capacidade do organismo. O álcool e o cigarro são tóxicos e as pessoas usam livremente. O sal de cozinha e o açúcar oferecem risco a boa parte da população e são consumidos sem qualquer moderação. Até onde os estudos científicos demonstram, os sais de alumínio são seguros para uso em antitranspirantes nas concentrações estabelecidas pela Anvisa (e outros órgãos pelo mundo).

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