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No ano passado publicamos um texto sobre o envelhecimento, mas da importância do diálogo entre mães e filhas sobre o processo de envelhecimento. É natural que todos envelhecemos um pouco a cada dia. Se nos lembrarmos que pouco a pouco a população brasileira também envelhece, falar das necessidades dos cosméticos para esse público deveria ser um tema recorrente em todos os eventos do setor cosmético. “Ah, mas já se fala de envelhecimento há bastante tempo”, você pode pensar. Mas e os cosméticos para idosos, quando eles são assunto?

Quando as marcas vão melhorar suas embalagens para se adequarem a esse perfil de consumidor? Quando os rótulos terão fontes maiores que possibilitem fácil leitura das informações pelos idosos? Em outras áreas de atenção à saúde do idoso, muito se fala da importância da socialização para o bem-estar e qualidade de vida desse público. De olho nessa tendência de oferecer cosméticos para idosos realmente adaptados à realidade deles (e não apenas, mudando o perfume ou o desenho do rótulo ou acrescentando ativos para não amarelar os fios de cabelo ou reverter alguns sinais do envelhecimento), preparamos esse texto.

Cosméticos para idosos devem se adequar ao estilo de vida
Os cosméticos para idosos devem se adequar a seu estilo de vida.
Foto: Freepik.

Os idosos no Brasil

No dia 1º de outubro é comemorado o Dia do Idoso, com o objetivo de valorizar as pessoas com mais de 60 anos que, de acordo com dados do IBGE, já são mais de 14% da população brasileira.

“A queda da fecundidade e o aumento da expectativa de vida representam hoje um novo padrão demográfico para o Brasil, impactando diretamente sua pirâmide etária. A previsão é que em 2060 a população jovem represente apenas 15,34% do total. Em 2030, quase metade da força de trabalho estará acima de 45 anos. Os dados são relevantes e exigem cuidados que impactam a agenda de saúde pública para a promoção de uma vida melhor e mais longa”, afirma Maristela Soubihe, geriatra do Hospital Santa Paula, que em 2015 conquistou o selo Hospital Amigo do Idoso, concedido pelo Governo do Estado de São Paulo.

A socialização é importante para a saúde mental da população acima de 60 anos. Como costumamos receber menos estímulos cognitivos conforme envelhecemos, é importante estabelecermos laços com as pessoas e praticar pequenas mudanças no estilo de vida já durante a juventude.

De acordo com um estudo da Universidade de Harvard, pessoas que estão mais conectadas socialmente são mais felizes, têm mais saúde e vivem mais do que aqueles com poucas conexões. A pesquisa, que já vem sendo realizada há 75 anos, é um dos estudos longitudinais mais abrangentes de toda a história. E uma de suas principais descobertas foi que bons relacionamentos nos mantém mais felizes e saudáveis!

Já um estudo britânico revela que diferentes mudanças no estilo de vida podem ajudar a preservar a função cognitiva mesmo ao envelhecer, tais como a prática de atividade física, uma dieta saudável e atividade social e cognitiva.

Você está preparado para viver mais de 100 anos?

Estima-se que os recém nascidos atualmente já têm expectativa de vida de mais de 100 anos. Atenta aos hábitos negligentes dos jovens atualmente, a Merck traz para o Brasil o movimento WE100, uma campanha global que tem como objetivo ajudar a preparar a sociedade para viver uma vida longa e saudável. “Estamos entrando em uma nova era, um tempo em que viveremos mais de 100 anos. Nosso propósito é assegurar que as pessoas possam envelhecer de maneira saudável e feliz, sendo uma parte atuante e importante de nossa sociedade”, afirma Roberta Farina, Diretora de Marketing da divisão Consumer Health da Merck Brasil.

O WE100 já tem iniciativas em execução na África do Sul e na Inglaterra, com programas que atuam nas escolas sul-africanas, trazendo o debate de saúde para as crianças, e em voluntariado, ajudando a inserir idosos ingleses de volta à sociedade. “Estamos ansiosos para iniciar nossas próprias iniciativas no Brasil, respeitando nossas diferenças culturais e as particularidades de nossa população”, observa Roberta. “Temos muito trabalho a fazer, e acreditamos que estimular o debate é o primeiro passo para conscientizar a sociedade sobre a importância do tema”, acrescenta.

Mas onde entram os cosméticos para idosos?

De um modo geral, as pessoas não lidam muito bem com o envelhecimento, especialmente as mulheres. De acordo com a dermatologista do Hospital Santa Paula, Dra. Vanessa Mussupapo, “quanto mais as rugas e a perda de elasticidade aparecem, mais inseguros ficam aqueles que envelhecem, gerando uma incerteza do que ainda são capazes de fazer nas suas vidas”.

Conforme o envelhecimento acontece, a pele fica menos elástica, com menos brilho e menos viço. Assim, os cosméticos podem ajudar nessa parte, melhorando o aspecto geral da pele, levando a um aumento da autoestima. Alguns idosos podem, inclusive, sentir-se mais confiantes em sair de casa para socializar e encontrar amigos e familiares. No entanto, a dermatologista recomenda que por mais simples que seja, que esse tratamento seja acompanhado por um dermatologista para que os resultados sejam positivos. É importante ter em mente que devemos envelhecer bem, afinal não dá para ter 20 anos novamente. Mesmo com toda a tecnologia existente dos cosméticos e tratamentos estéticos, assim como as cirurgias plásticas disponíveis, o corpo continuará envelhecendo e a idade cronológica não pode ser revertida.

Os idosos se adaptam às novas tecnologias, mas a tecnologia também deve se adaptar aos idosos.
Foto: Freepik.

Os cosméticos para idosos também devem ter rótulos com menos informação, priorizando tamanho de fonte maior, como já acontece atualmente com aparelhos celulares, por exemplo. O contraste de cores também deve ser pensado para favorecer a leitura, assim como a diferenciação entre produtos similares da mesma linha deve ser facilmente reconhecida. Como um shampoo e condicionador, por exemplo.

As embalagens não podem ser escorregadias e devem ser de fácil manuseio, abrir e fechar fácil, mas com bom mecanismo de fechamento da tampa. Deve-se evitar o uso de vidro. É imprescindível que cosméticos para idosos se adaptem de verdade às necessidades desse público.

Como kit básico de cuidados de idosos, a dra. Vanessa recomenda o uso de uma loção de limpeza, hidratante e protetor solar para o rosto e um hidratante e protetor solar para o corpo. Ela também recomenda “evitar sabonetes muito abrasivos, buchas e água muito quente, pois a pele do idoso é propensa ao ressecamento”. Também pode ser útil o uso de hidratantes com fragrâncias leves e perfumes suaves para atenuar o odor característico da pele senil.

Enfim, a atenção a essa considerável parcela da população deve ir além do trivial, além de prometer rejuvenescimento da pele. Os cosméticos para idosos, de modo geral, devem ajudar a promover melhoria na qualidade de vida desse público. Cabe às empresas realizarem pesquisas e criarem melhores produtos e serviços para eles e não se iludam: esses novos produtos e serviços não são os mesmos indicados para mais jovens. Faça a diferença positiva!

Gustavo Boaventura

Gustavo Boaventura

Diretor de Conteúdo
Farmacêutico Industrial pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Especialista em Pesquisa & Desenvolvimento de Produtos Cosméticos. Mestre em Comunicação pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) com foco no consumo de cosméticos masculinos. Experiência em Pesquisa & Desenvolvimento de produtos capilares.
É o idealizador e criador do Cosmética em Foco e escreve desde 2007.

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