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Cocamidopropyl Betaine

INCI Name: COCAMIDOPROPYL BETAINE
Nome português: Cocamidopropil Betaína, Anfótero betaínico
CAS Number: 61789-40-0
Funções: Antiestático, Limpador, Impulsionador de espuma, Condicionante de cabelo, Tensoativo, Regulador de viscosidade.
Aspecto: Líquido amarelo claro, sem odor ou odor fraco.
pH: 5,0 a 6,0 (solução a 10%)
Solubilidade: Solúvel em água. Facilmente solúvel em água em uma ampla faixa de pH.
Nomes comerciais:

Estrutura Química

Estrutura química do anfótero betaína (cocamidopropyl betaine)

Detalhes

Cocamidopropil Betaína é um tensoativo anfótero suave derivado do óleo de coco e dimetilaminopropilamina. Por ser um importante estabilizador de espuma, é um ingrediente comum em todos os tipos de produtos para limpeza como sabonete líquido, shampoo e espumas para banho. Recentemente ganhou ainda mais popularidade com os produtos co-wash. A apresentação comercial mais comum é uma solução com 30% de substância ativa.

Propriedades: A Cocamidopropil Betaína é útil para equilibrar espuma e o poder de detergência dos produtos para limpeza da pele e dos cabelos. Ela é mais usada como co-tensoativo compatível com tensoativos aniônicos, não-iônicos e catiônicos. Também pode ser utilizado como tensoativo primário por ter boa propriedade de limpeza e formação de espuma. Aumenta a viscosidade de sistemas tensoativos aniônicos (como shampoos e sabonetes líquidos). Por ter carga aniônica e catiônica, também possui ação condicionante e antiestática.

Usos e aplicações: Pode ser adicionada às fórmulas tal qual em concentrações de 2 a 40%, conforme viscosidade e espuma desejadas para a fórmula. É mais usada em body washes, xampus, banhos de espuma, loções de limpeza, cremes, sabonetes para as mãos, produtos para bebês, condicionadores de cabelo e condicionadores co-wash.

Compatibilidade: Compatível com tensoativos aniônicos, não-iônicos e catiônicos.

Origem: Vegetal (semi-sintético).

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Cocamide Dea

INCI Name: COCAMIDE DEA
Nome português: dietanolamina cocamida, amida 90, dietanolamina de ácidos graxos de coco
CAS Number: 68603-42-9
Funções: emulsionante, estabilizador de emulsão, impulsionador de espuma, surfactante/tensoativo, regulador de viscosidade
Aspecto: Líquido viscoso âmbar
pH: 9,0 a 10,5
Nomes comerciais:

Estrutura Química

estrutura quimica da dietanolamina cocamida (cocamide dea)

 

Detalhes

A Dietanolamina Cocamida (Cocamide Dea) é um tensoativo não-iônico produzido a partir da reação com os ácidos graxos do óleo de coco com a dietanolamina (DEA). Ela aumenta a capacidade de formação de espuma em xampus e sabonetes líquidos, bem como ajudam a estabilizar a espuma. Além disso também são usados para espessar a fase aquosa de cosméticos e produtos de higiene pessoal.
A Cocamide Dea e considerada um ingrediente seguro para uso em cosméticos. Isso caso seja controlada a presença de Dietanolamina livre na matéria-prima. Por ser uma amina secundária, a Dietanolamina é uma fonte potencial para a formação de nitrosaminas. Por essa razão, a Dietanolamina Cocamida vem sendo utilizada cada vez menos nos últimos anos. Para saber mais sobre esse assunto, leia a opinião 0462/01 do SCCS (em inglês).
Propriedades: Sua principal propriedade é na estabilização de espuma e estrutura de micelas de shampoos e sabonetes líquidos. Devido a sua característica tensoativa, é usada para solubilizar fragrâncias e óleos usados em shampoos e sabonetes líquidos. Também tem função re engordurante, ajudando a prevenir a sensação de ressecamento causada pela remoção da gordura natural da pele e do cabelo por outros tensoativos.
Usos e aplicações: A Cocamide Dea é utilizada em xampus, sabonetes líquidos, espumas e géis de banho, sabonetes em barra e tinturas de cabelo. O uso mais comum varia de 1 até 10%, mas não há uma restrição máxima para esse ingrediente.
Restrições: Não usar em associação com agentes nitrosantes. Controlar a matéria-prima com no máximo 5% de amina secundária e no máximo 50 mcg/Kg de nitrosamina. Deve ser armazenado em contêineres livres de nitritos.
Origem: Vegetal.

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Citric acid

INCI Name: CITRIC ACID
Nome português: ácido cítrico
CAS Number: 77-92-9 / 5949-29-1
Funções: agente tampão, quelante, mascarante
Aspecto: Cristais incolores e translúcidos ou pó cristalino, branco.
Solubilidade: Facilmente solúvel em água.
pH: 2,2 (solução 0,1%) / 1,8 (solução 5%)
Nomes comerciais:

Estrutura Química do Ácido Cítrico (Citric Acid)

estrutura química do ácido cítrico (citric acid)

Detalhes

O ácido cítrico (citric acid) é um ácido fraco amplamente encontrado em plantas e animais. É um ingrediente natural comum em frutas cítricas como o limão (suco de limão contém cerca de 5 a 8% de ácido cítrico). O ciclo do ácido cítrico é a via em muitos organismos, incluindo humanos, que produz quase dois terços de toda a energia usada pelas células. Sua produção industrial é basicamente por processos de fermentação de carboidratos.

Propriedades:
É um acidulante usado para ajustar o pH dos produtos (deixando-os mais ácidos ou menos alcalinos). Possui leve efeito quelante, auxiliando a ação de antioxidantes e conservantes, além de efeito tamponante (ajuda a manter o pH de 2,5 a 6,5). Em altas concentrações apresenta propriedades típicas de outros alfa-hidroxiácidos (peeling, efeitos anti-rugas).

Usos e aplicações: O ácido cítrico é utilizado em todos os tipos de produtos como cremes, loções, shampoos, shower gel, sabonetes e bombas efervescentes (em associação com bicarbonato de sódio).

Restrições: Concentração máxima 10% calculada na forma ácida em pH maior ou igual a 3,5 (Parecer Técnico nº 7, de 28 de setembro de 2001).

Origem: Vegetal, biofermentação ou sintética.

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Carthamus Tinctorius Seed Oil

INCI Name: CARTHAMUS TINCTORIUS (SAFFLOWER) SEED OIL
Nome português: Óleo da semente de Carthamus tinctorius
CAS Number: 8001-23-8
Funções: mascarante, condicionador da pele
Aspecto: Óleo amarelo pálido a amarelo ouro

Detalhes

O óleo de cártamo é um óleo comestível bastante presente em alimentos industrializados. Em cosméticos, o Carthamus Tinctorius Seed Oil é usado principalmente em fórmulas hidratantes para a pele e produtos para o banho.

Propriedades: O óleo de cártamo é um lubrificante oclusivo para a superfície da pele, promovendo maciez. Esse óleo é rico em ácido linoleico (70%), ácido oleico (11% e vitamina E (44mg/100g).
Usos e aplicações: O óleo de cártamo é usado em hidratates para o corpo em diversas concentrações.
Compatibilidade:
Origem: Vegetal

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Cetrimonium Chloride

Cetrimonium chloride, ou cloreto de cetrimônio, é um dos agentes condicionantes catiônicos mais usados em todo o mundo em produtos para os cabelos.

Ficha técnica

INCI Name: CETRIMONIUM CHLORIDE
Nome português: Cloreto de Cetrimônio, Cloreto de cetriltrimetilamônio
CAS Number: 112-02-7
Funções: Antimicrobiano, Antisetático, Conservante, Tensoativo, Emulsionante
Aspecto: Líquido incolor a levemente amarelado.
Solubilidade: Facilmente solúvel em água.
pH: 3,5 a 6,0 (solução a 2%)
Nomes comerciais:

Estrutura Química do Cetrimonium Chloride

estrututra química do cloreto de cetrimônio (cetrimonium chloride)

Detalhes

A apresentação comercial mais comum contém 29% de substância ativa diluída em água, mas também é vendido em solução alcoólica a 50%. O cetrimonium chloride é produzido a partir da reação de n-hexadecilamina com cloreto de metila na presença de hidróxido de sódio.

Propriedades: Excelente condicionador com propriedades antiestática, anti-frizz e desembaraçante. Possui boa propriedade emulsionante O/A. Especialmente eficaz para amaciar cabelos grossos. Apresenta propriedade antimicrobiana moderada e excelente compatibilidade com tensoativos não-iônicos e catiônicos, bem como com a maioria dos solventes polares.
Usos e aplicações: É utilizado em condicionadores, máscaras, cremes de pentear e outros produtos para os cabelos principal com ação anti-frizz e desembaraçante. Usado de 0,5 a 4% e deve ser adicionado na fase aquosa. Cetrimonium chloride é um dos agentes condicionantes mais utilizados em todo o mundo em produtos para os cabelos. Ele é o sinônimo de quaternário de amônio (que é a classificação dada a toda uma classe de produtos catiônicos).
Compatibilidade: Incompatível com ingredientes aniônicos.
Origem: Sintética.

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Uso de filtros em anúncios no Instagram foi proibido no Reino Unido

A Advertising Standards Authority no Reino Unido (o CONAR de lá) instruiu os influenciadores digitais britânicos a não fazer mais uso de filtros em anúncios no Instagram quando publicarem anúncios de cosméticos e produtos de cuidados com a pele. Influenciadoras divulgando maquiagem, por exemplo, não poderiam usar um filtro que alterasse a tonalidade ou a textura do produto anunciado. Espera-se que os influenciadores, marcas e celebridades do Reino Unido sigam as novas regras.

A decisão no Reino Unido veio após a campanha #filterdrop da maquiadora e modelo Sasha Pallari (@sashalouisepallari), que pedia para os influenciadores dizerem se estão usando filtro ao promover produtos de beleza. “Acho que qualquer pessoa online tem o direito de fazer o que quiser e postar o que quiser, porém, lucrar com o público e alterar o desempenho de um produto por meio de um filtro / edição precisava ser monitorado”, diz Sasha. A nós resta a dúvida: promover um benefício falso de um produto com o uso de filtros e edições vai gerar a recompra do produto? Será que o cliente vai gostar do produto e comprar novamente quando acabar ou vai ficar frustrado? Porque os filtros do Instagram estão acessíveis a todos os usuários do aplicativo sem a necessidade de gastar R$ 100,00 em um creme antirrugas, por exemplo.

O uso de filtros em anúncios no Instagram mascara os resultados reais dos produtos cosméticos
O uso de filtros em anúncios no Instagram mascara os resultados reais dos produtos cosméticos. No Reino Unidos as influenciadoras não podem mais usá-los em propagandas.

Sasha escreveu no Instagram: “Seis meses atrás, conversei com a ASA sobre os danos desses filtros, pois senti que era necessário haver diretrizes mais rígidas sobre como os produtos e cosméticos eram anunciados online. Parecia que eu estava prendendo a respiração cada vez que o caso era atualizado e levado a um estágio adiante. Em 22/01/2021 recebi um e‑mail informando que ‘o resultado das decisões escolhidas significa que agora é aconselhado que marcas / influenciadores / celebridades não devem aplicar filtros em fotos que promovam produtos de beleza, caso tais filtros possam exagerar o efeito o qual produto é capaz de atingir, mesmo que o nome do filtro seja referenciado no story do Instagram’.”

Para tomar uma decisão, a ASA analisou dois anúncios no Instagram de influenciadores que estavam vendendo produtos de bronzeamento em vídeos nos stories do Instagram. A ASA decidiu que os anúncios de ambos os produtos de bronzeamento provavelmente induziriam os clientes ao erro, porque os filtros distorciam o verdadeiro efeito que os produtos podem alcançar.

Os influenciadores do Reino Unido ainda poderão usar filtros, mas se eles estiverem anunciando cosméticos, eles precisarão escolher um filtro que não distorça ou exagere o efeito do produto. Quem infringir a nova regra terá seu anúncio retirado e proibido. Isso pode impactar negativamente a reputação de um influenciador.

celular com pessoa selecionando filtros do instagram
Uso de filtros em anúncios de cosméticos está proibido no Reino Unido. Deveriam fazer o mesmo no Brasil?

 

O uso de filtros em anúncios no Instagram também deveria ser proibido no Brasil?

Atualmente, a briga maior no Instagram e outras redes é que os influenciadores identifiquem claramente os anúncios no feed ou nos stories. Há muitas postagens que se passam por mera opinião da influenciadora, quando na verdade é um publieditorial. E o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (CONAR) já regulamenta esse tipo de ação…

Tal como no Reino Unido, aqui em terras tupiniquins também temos uma personalidade presente no Instagram dedicada a pressionar marcas e influenciadores para que os direitos e deveres sejam devidamente cumpridos. Eu me refiro à farmacêutica Priscilla Rezende, também conhecida como @desin.fluencer. Ela também já teve outros pseudônimos e vem jogando luz sobre as mentiras das blogueiras há muitos anos como Titia Shame e Blogueira Shame.

Para Priscilla, pelo menos 90% dos influenciadores no Brasil usam filtros ou outros artifícios ao postar anúncios de cosméticos no Instagram: “Usam filtro até para fazer publi de batom, o que modifica a cor do produto. Usam filtro no antes/depois de produtos faciais clareadores, fazem vídeos com um mega filtro perguntando ‘oi, meninas! Tutupom? O que estão achando da minha pele depois de usar o óleo de peroba na nova versão creme?’ Não dá para ver a pele, imagina o resultado de um tratamento.”

“A grande maioria ainda acredita que os posts são voluntários, verdadeiros e nem sabe que a identificação de conteúdo publicitário é obrigatória”, afirma Priscilla. Ou seja, para os brasileiros não é claro quando uma publicação no feed ou story é um anúncio ou não. Esso é uma falha grave de publicidade e o CONAR deveria pressionar por mais transparência. Quando vemos um artista na TV falando sobre os benefícios de um produto em um comercial de 30 segundos, todos temos certeza de que se trata de um anúncio! E ninguém critica o artista por receber dinheiro para promover aquele produto. Por que seria diferente no ambiente digital? Qual o receio de marcar os posts como anúncios ou publieditoriais se eles realmente o são?

Em seu perfil, Priscilla orienta os usuários, pessoas comuns, sobre o que fazer quando uma influenciadora ou uma marca usa filtro para mascarar benefícios ou mesmo quando uma publicação não é identificada como anúncio: “as pessoas devem denunciar como propaganda enganosa e ir até o perfil da marca reclamar porque as influenzas não dão a mínima para esse tipo de comentário”. Muitas vezes bloqueiam quem faz esse tipo de comentário e a vida segue normalmente. O termo influenza é utilizado para referir pejorativamente às influenciadoras que desrespeitam seus seguidores ao promover produtos com resultados falsos e realidades muitas vezes mentirosas, como certa vez uma delas gravou story dizendo que preparava a comida da semana, mexendo a colher em uma panela vazia e com o fogão desligado.

Como a Desinfluencer vem dizendo ultimamente: “o golpe está aí, cai quem quer”. E você? Sabe reconhecer quando um post é anúncio ou não? Sabe o que fazer para denunciar ao CONAR uma prática abusiva? Assim como aconteceu no Reino Unido, será que o CONAR deveria fazer o mesmo no Brasil e proibir o uso de filtros para a divulgação de cosméticos?

Fonte:

The Sun

Elle Brasil

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Uso da cafeína em cosméticos

O uso da cafeína em cosméticos não é novidade. Há anos que diversos produtos para a pele (mais recentemente também para os cabelos) trazem como benefício a presença de cafeína. Nesse artigo vou abordar um pouco do uso da cafeína em cosméticos e as propriedades desse ingrediente tão conhecido e tão parcamente explorado.

No Brasil, o uso da cafeína em cosméticos é restrito pelo Parecer Técnico n° 1, de 29 de janeiro de 2002, da Câmara Técnica de Cosméticos (CATEC) da Anvisa. Segundo o qual, os produtos cosméticos podem conter até 8% de cafeína, isolada ou associada, e os produtos que contenham cafeína ou outras metilxantinas são classificados como grau de risco 2.

A cafeína é extraída dos grãos de café e outras plantas.

As metilxantinas são constituintes químicos importantes de várias bebidas alimentícias ou estimulantes não alcóolicas, como café, chá verde, chá preto, guaraná e chocolate, que são consumidas em todo o mundo. De toda essa classe de bioativos, definitivamente as mais consumidas são cafeína, teofilina (presente no chá verde e chá preto) e teobromina (presente no chocolate).

O que é cafeína?

A cafeína é naturalmente encontrada nos grãos de café, grãos de cacau, guaraná e chá-da-Índia. A cafeína foi isolada pela primeira vez em 1820 por F. Runge a partir dos grãos do café. A cafeína é sintetizada nas plantas a partir dos nucleotídeos purina, adenosina monofosfato, guanosina monofosfato e ácido inosínico. Eles são transformados em xantosina, depois teobromina e então cafeína.

Por ser um subproduto do processo de descafeinação do café, a cafeína é facilmente obtida para fins comerciais, sendo pouca a produção por síntese química.

A cafeína anidra pura é um pó branco cujo ponto de fusão varia entre 237°C e 238°C. A cafeína é moderadamente solúvel em água (2g/100mL) e muito solúvel em etanol (15g/mL). A solubilidade da cafeína em água aumenta na presença de ácidos orgânicos e seus sais alcalinos como benzoatos, citratos ou salicilatos, por exemplo.

Dessa forma, é conveniente no uso da cafeína em cosméticos, associar na formulação algum sal derivado de ácido orgânico.

fórmula química da cafeína.
Fórmula química da cafeína.

Efeitos da cafeína em uso tópico

Em 2013, a equipe do Cosmética em Foco apresentou uma pesquisa na 2nd Conference of the International Federation of Societies of Cosmetic Chemists que aconteceu no Rio de Janeiro. Em nosso trabalho, selecionamos aleatoriamente alguns produtos de mercado contendo cafeína na sua composição e observamos que o principal benefício atribuído ao uso da cafeína em cosméticos seria a energização. Uma clara e direta associação ao uso da cafeína em cosméticos e sua ação sistêmica mais conhecida: estímulo do sistema nervoso central. Mas de verdade, o que a cafeína faz nos cosméticos?

Diversos estudos apontam os benefícios da ingestão de cafeína, mas ainda faltam estudos científicos que determinem os benefícios a longo prazo do uso tópico da cafeína em cosméticos. Como seu uso em tratamentos anti-aging, fotoproteção ou produtos anticelulite, por exemplo.

A cafeína tem atraído cada vez mais atenção nos cosméticos devido a uma forte atividade antioxidante e por aumentar a microcirculação sanguínea na região cutânea. O uso da cafeína em protetores solares ou pós-exposição ao sol poderia reduzir os efeitos induzidos pela radiação UV na pele. Ela também pode reduzir a lipogênese e estimular a lipólise, ajudando a reduzir o acúmulo de gordura subcutânea.

No entanto, para que o uso da cafeína em cosméticos seja eficaz, é necessário que ela penetre através da barreira cutânea (leia esse artigo sobre absorção e permeação cutânea dos cosméticos). A cafeína é utilizada como substância modelo em estudos de penetração na pele. Sabe-se que a penetração da cafeína através da barreira da pele não aumenta com oclusão ou espessura da pele. A taxa de absorção máxima de cafeína pela pele é de aproximadamente 2 micro-grama/cm²/h, com máximo de absorção acontecendo após 100 minutos da aplicação tópica. Após absorção a maior parte da cafeína fica na epiderme e pouco na derme. Mecanismos de encapsulação podem ser positivos para aumentar a absorção e uma liberação prolongada da cafeína.

um dos usos da cafeína em cosméticos é em produtos anti-celulite e para reduzir medidas.
Um dos usos da cafeína em cosméticos é em produtos anti-celulite.

5 benefícios potenciais do uso da cafeína em cosméticos

Abaixo listo 5 potenciais benefícios do uso da cafeína em cosméticos, mas que ainda requerem mais estudo em humanos para comprovação da eficácia:

  1. A cafeína é usada como ativo em produtos anti-celulite porque pode prevenir o acúmulo excessivo de gordura nas células. Acredita-se que ela estimula a degradação de gordura (lipólise) pela inibição da atividade da enzima fosfodiesterase.
  2. A cafeína pode ajudar a proteger as células dos efeitos da radiação UV e retardar o processo de fotoenvelhecimento da pele.
  3. A cafeína pode reduzir a circunferência das coxas e do quadril após um mês de tratamento.
  4. A cafeína pode reduzir o inchaço na região dos olhos, reduzindo a formação de bolsas.
  5. A cafeína pode penetrar os folículos pilosos e estimular o crescimento de cabelos pela inibição da atividade da enzima 5-alfa-redutase.

 

Matérias-primas cosméticas com cafeína

Na tabela abaixo, constam alguns ativos que contém cafeína na composição e a atividade e concentração sugeridas pelos fabricantes. Essas ações não foram testadas ou comprovadas pelo Cosmética em Foco, mas essa lista pode ser útil para inspirar o uso da cafeína em cosméticos.

Nome Comercial e Fabricante INCI AtividadeUso
Caffeine Herbasome

Lipopid Kosmetic

Aqua (and) Niacinamide (and) Propylene Glycol (and) Caffeine (and) Lecithin (and) Phenoxyethanol (and) TocopherolEsse ativo age como um agente promotor do crescimento dos cabelos, anti-celulite e anti-aging. Esse lipossoma contendo cafeína pode modular as propriedades de barreira do estrato córneo e transportar o ativo para camadas mais profundas da pele, onde pode tratar a celulite, a queda de cabelo e retardar o envelhecimento da pele.1 a 5%
Revital-Eyes

Active Concepts

Lactobacillus Ferment Lysate (And) Camellia Sinensis Leaf Extract (And) Punica Granatum Extract (And) Caffeine (And) AquaEsse agente revitalizante contém extrato de romã, chá verde, cafeína e um complexo de probióticos para ajudar a reduzir os sinais do envelhecimento na região dos olhos como rugas, bolsas e olheiras.1 a 10%
Biotannicol I

BASF

Aqua (and) Butylene Glycol (and) Triethanolamine (and) Theophylline (and) Glycine (and) Cola Acuminata Seed Extract (and) CaffeineÉ um ativo anti-celulite e anti-irritante indicado para produtos para a pele.5%
Anasensyl LS 9322

BASF

Mannitol (and) Ammonium Glycyrrhizate (and) Caffeine (and) Zinc Gluconate (and) Aesculus Hippocastanum Seed ExtractEsse agente calmante reduz a sensibilidade e vermelhidão da pele após barbear e aumenta a tolerância da pele. Ele também reduz a reatividade contra o stress diário da pele. É indicado para produtos masculinos.0,1 a 1%
SEBARYL FL LS 9088

BASF

Aqua (and) Niacinamide (and) Faex Extract (and) Aesculus Hippocastanum Seed Extract (and) Ammonium Glycyrrhizate (and) Panthenol (and) Propylene Glycol (and) Zinc Gluconate (and) Caffeine (and) BiotinEsse ingrediente é um biorregulador da secreção sebácea pela inibição da 5-alfa-redutase. Ele reduz a aparência brilhante da pele oleosa. É indicado para controlar a oleosidade na pele, cabelos e em produtos masculinos.1 a 5%
Coaxel PH

Croda

Aqua (and) Glycerin (and) Carnitine (and) Caffeine (and) Coenzyme AÉ um agente redutor de medidas e condicionante que promove a remodelação cosmética da silhueta e o tratamento dos problemas de excesso de gordura.3 to 8 %
Lipocare

Croda

Butylene Glycol (and) PEG-8 (and) Bupleurum Falcatum Root Extract (and) Caffeine (and) Coenzyme AÉ um agente redutor de medidas e condicionante que reduz a rugosidade e aumenta firmeza da pele. É indicado para produtos para corpo e pernas com a finalidade de redução de medidas e firmeza da pele.3%
Pleurimincyl

Croda

Butylene Glycol (and) PEG-8 (and) Bupleurum Falcatum Root Extract (and) CaffeineTrata-se de um agente anti-celulite e condicionante para a pele que estimula a lipólise e melhora a firmeza da pele. É indicado para produtos de redução de medidas, cuidados com os olhos e cuidados com o sol.3%
Vexel SP

Croda

Aqua (and) Glycerin (and) Lecithin (and) Caffeine (and) Palmitoyl carnitineEle age como um agente firmador, condicionante da pele e redutor de medidas. Ele contém nanovesículas de cafeína e carnitina palmitoil que melhoram a firmeza, elasticidade e o tônus da pele, principalmente no abdômen e braços. Também promove maciez imediata na região do decote.3%
ROVISOME F.E.C

Evonik

Alcohol (and) Aqua (and) Ascophyllum Nodosum Extract (and) Caffeine (and) Escin (and) Lecithin (and) Potassium PhosphateÉ um agente anti-rugas, redutor de medidas e anti-vermelhidão, desenvolvido para melhorar as olheiras. Como toda família ROVISOME, esse ativo também entrega ativos cosméticos às camadas mais profundas da pele.1 a 5%
CAFEISILANE

Exsymol

Caffeine (and) Siloxanetriol Alginate (and) Butylene GlycolEsse ativo é um agente redutor de medidas, anti-celulite, anti bolsas nos olhos, anti-aging e firmador da pele. Ele é um silanol que contém radicais cafeína e manurônico, oferecendo maciez, hidratação, elasticidade e proteção par a pele. Indicado para produtos para rosto e corpo, ele limita a atividade da enzima lipoproteína lipase.3 a 6%
ECOSLIM

Lucas Meyer (IFF)

Caffeine (and) Coffea Arabica (Coffee) Seed Extract (and) LecithinEssa tecnologia vetoriza a cafeína em um complexo a base de fosfolipídeos, possibilitando altas quantidade de cafeína na fórmula sem a necessidade de usar álcool. Evita a recristalização e efeito branco durante aplicação. A absorção cutânea é melhorada, promovendo a redução de medidas e a redução de olheiras e bolsas na área dos olhos.Até 5%
Isocell Slim

Lucas Meyer (IFF)

Caffeine (and) Lecithin (and) Silica (and) Sodium SalicylateEsse complexo é um agente redutor de medidas, anti bolsas na região dos olhos e agente de drenagem. É indicado para redução de celulite e produtos para área dos olhos.2 a 10%
RonaCare Caffeine

Merck

CaffeineCafeína pura em pó. Ela age como antioxidante, condicionante e agente hiperêmico (que estimula a circulação sanguínea). Possui propriedade firmadora da pele e anti-celulite. Ajuda a reduzir olheiras, bolsas nas áreas dos olhos e melhora vermelhidão facial. É um adjuvante em fotoproteção por proteger dos danos causados por radicais livres induzidos por UV. É um estimulante eficaz do crescimento de cabelo. É adequado para produtos para o tratamento dos cabelos, shampoos, leave-on e rinse-off.8% máx.
LIPOFIRM LCW WP

Sensient Cosmetic Technologies

Centella Asiatica Extract (and) Caffeine (and) Algae Extract (and) Carnitine (and) Salicylic Acid (and) Panthenol (and) Disodium Rutinyl Disulfate (and) Triethanolamine (and) PEG-8 (and) PEG/PPG-18/18 Dimethicone (and) Sorbitol (and) Propylene Glycol (and) Sodium Benzoate (and) Potassium SorbateEsse ingredient age como redutor de medidas e agente de drenagem. Ele possui efeito lipolítico e anti-redeposição. Pode ser usado em todos os produtos cosméticos.1 a 20%
Guaraslim

Solabia

Butylene glycol (and) Water (and) Caffeine (and) Paullinia cupana seed extract (and) Ptychopetalum olacoides bark extractEsse extrato hidroglicólico enriquecido com cafeína e polifenóis inibe a diferenciação dos adipócitos e promove a redução de medidas para homens e mulheres.3 a 5%

 

Referências

SIMÕES, Cláudia Maria Oliveira. Farmacognosia: da planta ao medicamento. 6. ed. Porto Alegre: Editora UFRGS, 2007. p.885-901.

HERMAN, A.; HERMAN, A.P. Caffeine’s mechanisms of action and its cosmetic use. Skin Pharmacol. Physiol., 26(1), 8-14 (2013).

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Quem foi Coco Chanel

Prestes a completar 100 anos de lançamento da sua icônica fragrância, no próximo ano, a marca Chanel continua sendo um sucesso. Ao pensarmos na marca e em sua fundadora, é possível pensar imediatamente em vanguarda, em ousadia e, ao mesmo tempo, também em minimalismo, conceitos tão diversos do tradicionalismo e da extravagância de roupas e joias do início do século XX.

Gabrielle Bonheur Chanel nasceu em 1883 na cidade de Saumur (França), sendo uma das filhas de um casal humilde composto por uma lavadeira e por um vendedor. Após o falecimento da sua mãe, seu pai a levou para um pensionado em Auvergne, junto aos seus irmãos.

frasco chanel no 5
Frasco do perfume icônico Chanel No.5.
Foto: reprodução.

Ainda quando bem jovem, Gabrielle trabalhou como balconista em uma loja de tecidos, onde aprendeu a costurar. Ela também atuou como cantora em um café, mas seu talento estava muito mais na costura que no canto. Ela conhecia apenas duas músicas muito simples, uma delas chamada “Qui qu’a vu Coco”, que repetidamente mencionava a palavra “Coco”. Naturalmente, este se tornou seu apelido. Concluímos que ela tomou o apelido de muito bom grado, adotando como seu próprio nome e como, eternamente, seria reconhecida. No entanto, a simplicidade da sua infância não lhe trazia orgulho, sendo motivo de frequentes mentiras de Coco para seus amigos e clientes.

Seu trabalho como cantora lhe apresentou a um rico militar, herdeiro de uma grande fábrica de tecidos para exército, chamado Étienne Balsan. Dizem os boatos que eles foram amantes por alguns meses, mas mantiveram amizade ao longo de toda a vida, amizade esta que proporcionou a Coco frequentar ambientes de classe alta.

No entanto, foi o industrial inglês Arthur Capel, também conhecido como Boy Capel, que lhe ajudou a abrir sua primeira loja, uma chapelaria. Com o talento e empenho de Coco, a chapelaria logo a transformou em estilista de roupas em geral. Veio daí seu grande destaque: diferentemente do que os anos 20 exibiam, Coco não desenhava roupas extravagantes, cheias de plumas ou brilhos. Suas criações estavam muito mais baseadas naquilo que era funcional para a mulher da época, sendo sua grande inspiração o vestuário masculino. Coco foi a primeira estilista a ousar trazer as calças compridas para o guarda-roupa feminino! Também veio dela o tailleur (conjunto de saia e paletó), o cardigan, o clássico tweed, o corte de cabelos curtos (conhecido, não por acaso, como corte Chanel), camisas soltas (tradicionalmente usadas como roupas íntimas masculinas), “yatch pants” (calças de cintura alta e largas nas pernas) e camisetas listradas. Por conta do novo comprimento proposto para as saias, que passaram a mostrar o tornozelo das mulheres, foi preciso também repensar os sapatos. Ela criou então o sapato bicolor: nude para alongar as pernas, com o bico mais largo e preto para não incomodar ou mostrar-se sujo, sendo muito mais confortáveis que os sapatos da época. Veio depois o vestido pretinho básico. Até a década de 1920, preto era uma cor destinada ao luto. Em 1926, um vestido preto de crepe com mangas justas e compridas foi publicado na revista Vogue americana, sendo eternizado por ninguém menos que Audrey Hepburn no clássico “Bonequinha de Luxo”, tornando-se sinônimo de elegância. O modelo foi mencionado pela conceituada revista como sendo o “Ford dos vestidos”.  A marca também lançou a bolsa com alça, permitindo que as mãos das mulheres permanecessem livres, libertando-as da necessidade de segurar os objetos constantemente. Em relação às cores, Coco exaltou especialmente o preto e o branco, mas também o cinza, o azul-marinho e o bege; trazendo as pérolas e as bijuterias para o cotidiano das mulheres elegantes.

Coco chanel
Gabrielle Bonheur Chanel.
Foto: reprodução.

Foi no início dos anos 1920 que Coco, obstinada a entregar um mimo às suas melhores clientes, investiu na ideia de desenvolver uma fragrância exclusiva. Ela buscou por François Coty, o mais famoso responsável pelo universo dos perfumes da época. Com ele, Coco aprendeu muito sobre fragrâncias, treinando seu nariz para melhor definir as famílias olfativas que mais lhe agradavam. Foi uma fragrância antiga e de propriedade dos czares russos imortalizada no lenço de um bailarino, Serguei Diaghilev, que a inspirou a criar seu inconfundível Chanel Nº 5. Coco buscou pelo perfumista responsável pelo desenvolvimento da fragrância, Ernest Beaux, e, por um erro de concentração de aldeídos praticado por sua assistente, Coco encantou-se pela amostra oferecida ainda mais que pela fragrância original. Surgia então, em 1921, o Chanel Nº 5, por ser esse o número da amostra apresentada e, talvez não por acaso, seu número da sorte. A fragrância contava com mais de 65 substâncias em sua composição, dentre as quais: rosas, jasmins, flores raras do oriente, sândalo, além da luxuosa essência obtida de uma árvore tropical ameaçada de extinção, denominada pau-rosa. Tão inusitada quanto a fragrância, era sua embalagem: um modelo minimalista de vidro, retangular e com uma etiqueta branca, muito diferente do estilo rebuscado e cheio de detalhes da época.

Ao presentear suas clientes e espalhar a fragrância pelos restaurantes que frequentava, Coco despertou um desejo generalizado. Tanto que conquistou a atenção do fundador da loja de departamento Galeries Lafayette, Théophile Bader. Para tanto, ela precisava expandir a produção. Foi quando, então, Coco foi apresentada por Bader à Pierre Wertheimer, um dos proprietários da empresa de cosméticos Bourjois. Em 1924, Coco fundou Les Parfum. Assim, depois do Chanel Nº 5, muitos outros perfumes vieram.

Em 1924, veio então a linha de produtos de maquiagem, com cores para os lábios e pós faciais. Já em 1927, veio a linha de produtos skincare, que na época ainda não tinham esse nome, mas o conceito era bastante similar ao atual. A marca Chanel lançou uma linha com quinze produtos para o cuidado da pele, com foco em uma pele perfeita.

Apesar da loja na Rue Cambon, paralela ao Faubourg Saint Honoré, a alameda parisiense das grandes grifes, e das lojas em Deauville, o período da Segunda Guerra Mundial foi especialmente difícil para a marca. Muito se especula sobre a relação de Coco com as tropas nazistas e o que se sabe é que a marca sofreu retaliação, levando Coco a passar um período da vida na Suíça. Todas as lojas permaneceram fechadas e, à venda, só se encontravam os frascos de Chanel Nº 5. Entre 1953 e 1954, Coco reinaugurou seu ateliê.

Eu não faço moda, eu sou a moda.
Citação de Coco Chanel: “eu não faço moda. Eu sou a moda.”
Foto: reprodução.

Em 1954, a marca lançou um batom cremoso em bala (stick) que também virou objeto de desejo, e que sofreu modificações futuras segundo as tendências tecnológicas mais atuais. Sua embalagem era retangular e uma réplica exata do frasco do perfume. O batom foi tão importante para a marca, a ponto de reservarem um compartimento especial em suas bolsas somente para guardá-lo.

Em 1955, a marca lançou então sua primeira fragrância masculina, chamada “Pour monsieur”. Foi também em 1955 que Marilyn Monroe, ao ser entrevistada, respondeu que usava apenas algumas gotas de Chanel Nº 5 para dormir. Sua resposta fez com que as vendas do perfume dobrassem, fazendo a marca lucrar aproximadamente US$ 162 mil naquele ano.

A composição da fragrância permaneceu praticamente inalterada ao longo de mais de meio século de existência, algo extremamente incomum, já que as pessoas, seus hábitos e preferências mudam continuamente. Não só a composição não sofreu alterações, como também os fornecedores de ingredientes foram mantidos, tais como as famílias de floricultores do sul da França, responsáveis pelo cultivo de grande parte dos jasmins e rosas de maio presentes na fragrância. É válido destacar que até hoje Chanel Nº 5 é o perfume mais vendido em todo o mundo, sendo comercializado em mais de 140 países. Em 2016, a marca lançou o Chanel Nº 5 L’Eau, um perfume inspirado no tradicional, porém voltado para um público mais jovem.  Em 1981 a marca mudou de perfumista, assumindo Jacques Polge. O sucesso seguiu o mesmo.

Coco faleceu em 1971, vítima de um ataque cardíaco, sendo enterrada na Suíça.

Após sua morte, o empresário francês Jacques Wertheimer, próximo à Coco desde 1954, comprou a marca e a manteve sem grandes inovações, sendo muito bem recompensado pela venda de perfumes, cosméticos e acessórios. Ao assumir a marca, seu filho diminuiu a produção do Chanel Nº5, retirando o perfume das prateleiras e, com isso, fez as vendas dispararem. Desta forma, ele trouxe à Chanel o conceito de exclusividade, concomitantemente investindo grande fortuna em marketing.

Em 1978, a marca lançou sua coleção prêt-á-porter, ou seja, pronta para levar para casa. Já em 1983, Karl Lagerfeld tornou-se diretor artístico da marca, tanto para a linha de alta-costura quanto para a de prêt-à-porter, permanecendo no cargo até o ano passado, quando faleceu, e foi substituído por sua então braço direito, Virginie Viard, que integrou a equipe da empresa em 1987, como estagiária na área de bordados de alta-costura.

Em anos mais recentes, e em tempos de venda online, a marca lançou “Les exclusifs” em 2007, fragrâncias vendidas exclusivamente nas boutiques Chanel, uma coleção rara de fragrâncias simples e luxuosas. A coleção foi criada pelo perfumista Ernest Beaux e recriada pelo então perfumista da marca, Jacques Polge.

Em 2009, a marca apresentou “Rouge Coco”, uma linha luxuosa de batons de texturas cremosas desenvolvidos com inspiração do batom criado por Coco, proporcionando um resultado mais luminoso, confortável e acetinado. Pela presença de pigmentos extremamente refinados, a luminosidade da cor permanece preservada por mais tempo e o complexo Hydratender garante hidratação prolongada por até 8 horas. A linha conta com 30 cores diferentes, sendo que cada um deles recebeu o nome de uma fase importante da vida de Coco.

se você estiver triste, adicione mais batom e ataque. Coco Chanel
Citação de Coco Chanel: “se você estiver triste, adicione mais batom e ataque.”
Foto: reprodução.

Além dos cosméticos, a marca expandiu seu portfólio com o lançamento de óculos de sol e de grau. Mais recentemente, em 2017, a primeira flagship da marca, aberta em Tóquio em 1994, reabriu no seu endereço original.

A marca não parou de surpreender. Deixando claro que “beleza não é uma questão de gênero, mas de estilo”, Chanel lançou uma linha de três itens de maquiagem para o público masculino: 1) “Le Baume Lèvres”: lip balm de efeito matte, enriquecido com óleo de jojoba, manteiga de karité e vitaminas antioxidantes, que hidrata os lábios por até oito horas; 2) “Le Teint”: base disponível em quatro tons, com fórmula fluida e superleve e com FPS 25, que inibe o excesso de oleosidade da pele e contém ácido hialurônico e 3) “Le Stylo Sourcils”: caneta à prova d’água para as sobrancelhas, em quatro tons, tanto para preencher como esfumar e pentear. Segundo a marca, tais produtos “permitem que os homens, em suas rotinas de beleza, tenham as ferramentas necessárias para se sentirem melhor consigo mesmos. Além disso, eles devem ser livres para usar produtos de maquiagem para corrigir sua aparência, sem questionar sua masculinidade.” O lançamento foi realizado na Coreia do Sul e não foi por acaso. Estima-se que 75% dos sul-coreanos façam tratamentos de beleza em casa ao menos um por semana ou mais, comparado a apenas 38% dos franceses, mercado original da marca. Desta forma, o país se apresenta como país com maior demanda e que mais está avançado em relação às rotinas masculinas de maquiagem. Kristine Kim, gerente de comunicação da Chanel na Coréia do Sul, salienta que “os homens não devem considerar esses itens como unissex, já que melhor atendem às suas necessidades. Por exemplo: eles têm uma epiderme mais espessa e mais densa do que as mulheres, mais poros, pele mais oleosa – e os produtos abordarão essas questões.”

Por fim, em tempos de pandemia (e isolamento) que vivemos, a marca inovou e apresentou o desfile virtual Chanel para Cruise Collection 2021 em plataformas digitais.

Assim, Gabrielle tornou-se Coco Chanel e alterou, de maneira tão simples e significativa, o mundo em que vivia, reverberando no mundo em que atualmente vivemos.

 

Referências Bibliográficas:

https://www.fashionbubbles.com/historia-da-moda/as-grandes-estilistas-da-moda-europeia-coco-chanel-parte-35/

https://www.revistalofficiel.com.br/moda/10-fatos-sobre-coco-chanel

https://inside.chanel.com/pt/timeline/1883_birth-of-gabrielle-chanel

https://super.abril.com.br/historia/coco-chanel-a-revolucionaria-da-moda/

http://1nariz.com.br/2015/historia/como-coco-chanel-foi-passada-para-tras-pelos-perfumes-chanel-parte-2

http://mundodasmarcas.blogspot.com/2006/05/chanel-coco-elegance.html

https://ffw.uol.com.br/noticias/beleza/boy-de-chanel-marca-lanca-sua-primeira-linha-masculina-de-maquiagem/

https://forbes.com.br/forbeslife/2018/08/chanel-lanca-revolucionaria-linha-de-maquiagem-para-homens/

https://veja.abril.com.br/entretenimento/virginie-viard-sucede-karl-lagerfeld-como-diretora-artistica-da-chanel/

https://vogue.globo.com/moda/moda-news/noticia/2015/08/happy-birthday-coco-chanel-frases-memoraveis-da-iconica-estilista.html

Filme Coco antes de Chanel (2009)

Livro Mademoiselle Chanel e o cheiro do amor – A história do perfume mais famoso do mundo (Michele Marley,  2018)

 

 

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Colágeno verisol funciona de verdade?

Você já deve ter ouvido falar sobre o tal colágeno verisol, que não é um ingrediente cosmético, mas é alvo de muitas dúvidas quando o assunto é estímulo da produção de colágeno. Recebemos alguns pedidos de leitores para tratarmos do tema e isso também foi assunto de uma das lives que fizemos recentemente no Instagram (siga os nossos perfis @cosmeticaemfoco nas principais redes).

Antes de falarmos sobre o colágeno verisol, é importante recapitularmos alguns pontos importantes sobre colágeno hidrolisado. Recentemente publicamos um artigo sobre colágeno. É importante a leitura desse artigo antes de seguir. Se você já leu o artigo anterior, vem comigo. Mas se você ainda não leu, clique aqui e depois volta!

tecidos do corpo onde tem colágeno
Tecidos do corpo onde há colágeno, e que podem ter melhoria com ingestão oral de proteína, peptídeos e peptídeos ativos de colágeno.

O que é colágeno e onde ele está presente no corpo humano

Complementando o texto anterior, o colágeno é uma das proteínas mais estudadas desde que foi descoberta em 1969. Por essa razão já foram identificados diferentes tipos de colágeno, cada um presente na matriz extracelular em diferentes regiões do organismo. Os diferentes tipos de colágenos possuem funções especializadas em diversos tecidos. Os mais abundantes formam as bases estruturais da pele, tendões, ossos, cartilagem e outros tecidos.

Tipo de ColágenoTecido
Colágeno tipo Itendão, ossos, pele
Colágeno tipo IIcartilagem, humor vítreo
Colágeno tipo IVmembrana basal
Colágeno tipo VIIfibras de ancoragem
Colágeno tipo IXonipresente
Colágeno tipo XIIonipresente
Colágeno tipo XIIImembrana celular
Colágeno tipo XVIImembrana celular
Colágeno tipo XXIIImembrana celular
Colágeno tipo XXVmembrana celular

 

Como é obtido o colágeno industrialmente

Os tipos de colágeno mais comuns e usados pela indústria cosmética são o Colágeno tipo I, Colágeno tipo II e Colágeno tipo III, que formam as fibrilas estruturais dos tecidos. O Colágeno tipo I é a base para produção de muitos ingredientes cosméticos, por ser o mais biocompatível com o corpo humano. Especialmente por ser o mais comum extraído de fontes marinhas como peixes, águas vivas e esponjas marinhas, dessa forma não são fontes de transmissão de doenças como a encefalopatia espongiforme bovina (a doença da vaca louca), mais comumente chamada de BSE (bovine spongiform encephalopathy)

De modo geral, a obtenção do colágeno de partes de bovinos ainda é a mais comum. Seguido pelas partes de suínos. Por isso é importante solicitar ao seu fornecedor a declaração de origem do material e a declaração de segurança quando a BSE.

Há ainda outras fontes animais como as aves, bem como a partir do cultivo in vitro de células humanas ou de animais terrestres. A expressão da proteína por leveduras a partir de DNA recombinante e a síntese direta dos peptídeos também são alternativas viáveis, apesar de serem mais caras.

No entanto, a maior parte da produção industrial de colágeno ainda é a partir do reaproveitamento de subprodutos animais que seriam descartados. Ao invés disso, esses tecidos com alto valor nutritivo passam por novas etapas de processamento e se tornam fontes de nutrientes para suplementação e outras aplicações.

O que é colágeno vegetal

A maior parte do colágeno disponível no mundo é de origem animal. É importante pontuar que tecnicamente não existe colágeno vegetal. O que há disponível comercialmente são hidrolisados de proteína vegetal e misturas de peptídeos com composição similar ao hidrolisado de colágeno. Mas essa mistura não pode ser tecnicamente chamada de colágeno. No entanto, o mercado cosmético criou o termo “colágeno vegetal”.

Então o tal colágeno vegetal não é colágeno. Possui composição e propriedades similares, mas não é colágeno. Seria o mesmo que preparar um molho para macarrão a base de melancia e chamá-lo de molho de tomate. O sabor pode ser idêntico, o aspecto do macarrão ao sugo pode ser idêntico, mas o seu macarrão não contém molho de tomate.

colágeno vegetal pode ser obtido de algas
O colágeno vegetal é uma mistura de peptídeos e aminoácidos obtidos de plantas ou algas que tem composição similar ao colágeno animal.

Tendências em tratamentos e suplemento com colágeno

Nos últimos anos, a suplementação oral de colágeno vem se tornando cada vez mais popular. Os produtos prometem aos consumidores ações antienvelhecimento; aumento da hidratação, elasticidade e firmeza da pele; redução de rugas e rejuvenescimento da pele. Há melhora do aspecto da pele com o uso prolongado de suplementos de colágeno em tratamentos de pelo menos 12 semanas (3 meses), mas após cerca de 4 semanas após a interrupção da suplementação oral, toda a melhora é perdida.

Em 2016, o mercado global de colágeno chegou a US$ 3 bilhões e é esperado crescimento para US$ 6,63 bilhões até 2025. A principal razão para o crescimento é o aumento de demanda em cosméticos e suplementos devido ao aumento populacional. Mas é bem provável que nos próximos anos, começaremos a ver no mercado bebidas enriquecidas com colágeno hidrolisado, bem como outros alimentos processados.

O que é colágeno verisol?

O colágeno verisol é um hidrolisado de colágeno para uso oral como suplemento que promete maior firmeza e suavidade na pele, além de reduzir celulite e auxiliar no crescimento das unhas. Há artigos publicados que alegam os benefícios citados com a ingestão frequente do colágeno verisol.

Os peptídeos bioativos de colágenos (comercialmente chamado de colágeno verisol) são obtidos pela degradação de colágeno tipo I suíno pela empresa alemã Gelita. Os peptídeos possuem peso molecular médio de 2 kD e devem ser dissolvidos preferencialmente em água antes de serem ingeridos.

Peptídeos bioativos são frações de hidrolisados de proteínas que possuem ação biológica quando administradas por via oral ou tópica. Toda proteína quando é hidrolisada gera peptídeos e aminoácidos. Alguns desses peptídeos (geralmente os de tamanho médio de moléculas) são capazes de exercer ações biológicas.

De acordo com um estudo duplo-cego realizado com 69 mulheres de 35 a 55 anos publicado em 2013, uma dose diária de 2,5g de colágeno verisol durante 4 semanas seria capaz de promover aumento da elasticidade da pele versus placebo. Após interromper o tratamento, a melhoria observada na pele seria perceptível ainda por mais 4 semanas.

Um segundo estudo com 114 mulheres com idade entre 45 e 65 anos, demonstrou que uma dose diária de 2,5g de colágeno verisol durante 4 semanas reduziu rugas e aumentou a concentração de pró-colágeno na pele.

Em outro estudo duplo-cego com 105 mulheres de 25 a 50 anos, a ingestão diária de 2,5g de colágeno verisol durante 6 meses demonstrou redução no grau de celulite e na ondulação na pele, com os primeiros resultados visíveis após 3 meses de tratamento.

colágeno verisol deve ser diluído em água
O colágeno verisol deve ser diluído em água antes de ser ingerido.

Outra pesquisa realizada teve duração de 6 meses durante os quais as 25 mulheres ingeriram uma dose diária de 2,5g de colágeno verisol durante 24 semanas, seguido de um período de 4 semanas de observação após interrupção do tratamento. Nesse estudo foi observada melhora no aspecto das unhas que ficaram menos quebradiças. Após 12 semanas, foi observado aumento de 10% na taxa de crescimento das unhas. Mais de 70% das voluntárias relataram que suas unhas cresceram mais rapidamente e ficaram mais longas.

Afinal, tomar colágeno verisol funciona de verdade?

Como já foi pontuado também no outro artigo aqui do Cosmética em Foco, a ingestão de colágeno vai aumentar a disponibilidade de peptídeos e aminoácidos para todos os tecidos, não necessariamente na pele e unhas (onde todos querem melhorar o aspecto com a suplementação oral de colágeno). Maior oferta de nutrientes vai promover uma melhor formação de colágeno e outras proteínas no organismo, mas ainda não é uma relação direta.

Os estudos apontam sim resultados positivos, mas todos compararam o uso do colágeno verisol versus placebo. Nenhum deles compara a ingestão de colágeno verisol versus a ingestão outros suplementos ricos em proteínas e peptídeos ou ao consumo diário de dose similar de gelatina. Além disso, o que é evidente em todos os estudos publicados sobre tratamentos com colágeno verisol é o tempo do tratamento que variou de 1 mês a 6 meses. Ou seja, os benefícios não são imediatos. Também não são benefícios duradouros, após interromper a ingestão diária de colágeno verisol a pele e as unhas voltarão ao estado natural anterior ao tratamento.

Qual o melhor colágeno verisol?

Após toda a explicação acima, você ainda deve se perguntar qual o melhor colágeno verisol do mercado? Qual marca comprar? A resposta é bem simples. Colágeno Verisol é marca registrada da empresa Gelita, então se a marca declara abertamente que contém colágeno verisol, então tem a mesma procedência.

Como vimos nos dados dos estudos clínicos apresentados, a dose ideal de colágeno verisol é 2,5g por dia. Sendo assim, a marca que recomendar essa posologia também é indicada.

Você pode encontrar marcas de suplementos com colágeno verisol vendidos em caixas com sachês ou cápsulas com pesos e tamanhos diferentes, mas o mais importante é que a dosagem diária mínima deve ser 2,5g de peptídeos bioativos de colágeno. Na dúvida, converse com seu médico, farmacêutico ou nutricionista e tire todas as dúvidas.

 

Referências:

Brodsky, B.; & Persikov, A. V. Molecular Structure of the Collagen Triple Helix. Advances in Protein Chemistry, 2005, v.70, p.301–339. https://doi.org/10.1016/S0065-3233(05)70009-7

HEXSEL, D.; ZAGUE, V.; SCHUNCK, M.; SIEGA, C.; CAMOZZATO, F.O.; OESSER, S. Oral supplementation with specific bioactive collagen peptides improves nail growth and reduces symptoms of brittle nails. J Cosmetic Dermatol, 2017; p.1-7.

PROKSCH, E.; SEGGER, D.; DEGWERT, J.; SCHUNCK, M.; ZAGUE, V.; OESSER, S. Oral Supplementation of Specific Collagen Peptides Has Beneficial Effects on Human Skin Physiology: A Double-Blind, Placebo-Controlled Study. Skin Pharmacol Physiol, 2014, v.27, pp.47–55.

PROKSCH, E.; SCHUNCK, M.; ZAGUE, V.; SEGGER, D.; DEGWERT, J.; OESSER, S. Oral Intake of Specific Bioactive Collagen Peptides Reduces Skin Wrinkles and Increases Dermal Matrix Synthesis. Skin Pharmacol Physiol, 2014, v.27, pp.113-119.

Ricard-Blum, S. The Collagen Family. Cold Spring Harbor Perspectives in Biology, 2011, 3. https://doi.org/10.1101/cshperspect.a004978

Rodríguez, M. I. A.; Barroso, L. G. R.; Sánchez, M. L. (2017). Collagen: A review on its sources and potential cosmetic applications. Journal of Cosmetic Dermatology, 2017, n.17, v.1, p.20–26. https://doi.org/10.1111/jocd.12450

SCHUNCK, M.; ZAGUE, V.; OESSER, S.; PROKSCH, E. Dietary Supplementation with Specific Collagen Peptides Has a Body Mass Index-Dependent Beneficial Effect on Cellulite Morphology. J Med Food, v.18, n.12, 2015, pp.1340–1348.

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pH da pele e o impacto do pH dos produtos na pele

A pele é o extenso órgão que protege nosso organismo do ambiente externo e exerce muitas funções de proteção. Formada por células que trabalham de maneira muito organizada para desempenharem seu papel com perfeição, a pele apresenta um comportamento único, com propriedades e desempenho específico de sua estrutura. As propriedades biomecânicas são propriedades físicas e biológicas da pele que podem ser avaliadas por meio de equipamentos laboratoriais nos fornecendo informações como teor de hidratação, oleosidade, grau de descamação, assim como o pH cutâneo, que será o assunto abordado a seguir.

Eletrodo medidor de pH cutâneo. Foto: Divulgação.

O pH é definido pela concentração de íons de hidrogênio livres em uma solução aquosa. O ponto neutro do pH é 7, e os valores máximos das faixas de ácido e alcalino são 0 e 14, respectivamente. O pH cutâneo é definido pelo valor de pH de substâncias do estrato córneo solúveis na água, como a presença de suor, sebo, substâncias produzidas por bactérias do microbioma ou micro-organismos externos. A concentração desses componentes hidrossolúveis pode alterar conforme idade, gênero e uso de cosméticos provocando assim alteração no pH da pele.

pH da pele ou pH cutâneo

O pH cutâneo é avaliado por meio de um eletrodo de pH, que permite contato uniforme com a superfície da pele a partir de uma interface aquosa. Os componentes solúveis extraídos do estrato córneo se difundem na interface aquosa do eletrodo, aplicado na superfície da pele, determinando os valores do pH da região analisada.

A faixa de pH cutâneo varia conforme a região do corpo, podendo atingir faixas entre 4,8, caso de regiões mais oleosas como cabeça, até 6,2 como axila, virilhas e pés. O pH cutâneo é considerado ácido, isso devido ao “manto ácido” ou “manto hidrolipídico” presente no estrato córneo (camada mais externa da pele) que tem como função auxiliar na proteção das camadas cutâneas, evitando entrada de substâncias do ambiente externo e perda de água e nutrientes da pele. O funcionamento equilibrado da barreira do estrato córneo é essencial para a manutenção de uma pele saudável; alterações neste processo contribuem para a desorganização da função da barreira cutânea, podendo acarretar no desenvolvimento de doenças da pele.

O que determina o pH da pele

Componentes lipídicos do estrato córneo, assim como secreções de glândulas sebáceas e sudoríparas contribuem para o pH da pele. Pode-se dizer que o pH ácido do estrato córneo é importante para o processo de deposição normal dos lipídios, uma vez que enzimas atuantes no processo de queratinização da epiderme são mais ativas em pH ácido, mais especificamente em pH 5,5. O pH ácido cutâneo também apresenta ação antifúngica, impedindo o desenvolvimento de bactérias patogênicas e mantendo equilibrado o microbioma cutâneo.

Vários fatores podem influenciar no pH cutâneo, como idade, etnia, curativos oclusivos e o uso de produtos tópicos, principalmente os relacionados à limpeza da pele como sabonetes e shampoos, por normalmente apresentarem pH mais alcalinos para a pele.

Fatores que influenciam o pH da pele

O uso de produtos com pH mais elevado que o pH cutâneo, como sabonetes, provoca um aumento do pH da pele em até 2 unidades, ou seja, se o pH cutâneo está na faixa de 5,5 o mesmo pode alcançar picos de 7,5 quando em contato com produtos mais alcalinos, levando cerca de 120 minutos para retornar ao seu estado de pH natural. Já ao utilizar sabonetes com pH fisiológico da pele, o aumento do pH é muito menor podendo atingir até 0,75 unidade, e 90 minutos para restaurar seu estado normal.

Estudos mostram que as mudanças no pH da pele podem interferir no aumento da perda de água transepidermal, colaborando para a desidratação cutânea; além de provocar alterações no microbioma cutâneo, o que pode ser prejudicial para indivíduos que possuam alguma doença de pele  como acne e dermatites. A bactéria Propionibacterium acnes começa a se desenvolver em pH 6-6,5 e atinge seu pico de proliferação em pH 7,5, já o fungo Candida albicans, responsável por causar candidíase, começa a se proliferar em faixas de pH 6.

Por esta razão o uso de produtos com pH fisiológico da pele pode ser uma solução para evitar alterações no pH cutâneo, como sabonetes líquidos e tônicos faciais. Os tônicos são uma ótima alternativa para auxiliar na restauração do pH cutâneo de forma mais rápida, uma vez que esses produtos normalmente apresentam pH na faixa de 4-4,5.

Sendo assim, é muito importante o cuidado adequado com cada região anatômica, uma vez que cada parte do corpo apresenta faixa de pH característica. O pH ácido da pele age como um antimicrobiano de defesa, que atua impedindo a colonização de bactérias patogênicas, auxiliando principalmente nas doenças cutâneas. Portanto, utilizar produtos com pH que respeite o pH fisiológico da pele irá ajudar na manutenção tanto da barreira protetora quanto do microbioma cutâneo.

 

Referências

HARRIS, Maria Inês Nogueira de Camargo. Pele: do nascimento à maturidade. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2016

Parra JL, Paye M. EEMCO Guidance for the in vivo Assessment of Skin Surface pH. Skin Pharmacol Appl Skin Physiol. Barcelona, 2003

PORTO, Carla. A microbiota da pele humana. HARRIS, Maria Inês Nogueira de Camargo. In: Pele: do nascimento à maturidade. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2016. cap. 18, p. 195-210.

RUNEMAN, B.; FAERGEMANN, J.; LARKÖ, O. Experimental Candida albicans lesions in healthy humans: dependence on skin pH. Acta Dermato Venereologica, v. 80, p. 421–424, 2000.

SCHMID-WENDTNER, M.H.; KORTING, H.C. The pH of the skin surface and its impact on the barrier function, Skin Pharmacol. Physiol. 19 (2006) 296–302.

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Epilação e depilação: especialista da rede Pello Menos explica a diferença

O termo depilação é geralmente utilizado pelas clínicas de estética e pela mídia para descrever todos os métodos de eliminação dos pelos. Porém, o que poucos sabem é que existem duas nomenclaturas que fazem referência ao tipo de extração: mais superficial ou da raiz. A depilação é a mais superficial e costuma ser realizada por meio de lâminas ou cremes depilatórios. Já a epilação, termo não tão comum, é a remoção do pelo pela raiz.

“A principal diferença entre epilação e depilação está basicamente na técnica utilizada para eliminar os pelos do corpo. Procedimentos de epilação vão fazer a retirada dos pelos pela raiz, ou seja, haverá a remoção dos pelos inteiros, incluindo porções do bulbo piloso. Por esse motivo, este método proporciona um maior prolongamento dos efeitos da técnica”, explica Regina Jordão, CEO e fundadora do Pello Menos, especialista em depilação à cera.

Assim, confira abaixo as principais características do método de epilação:

Depilação com cera

A cera é um dos tipos mais comuns do mercado, sendo autoridade quando o assunto é eliminação dos pelos. As principais vantagens estão no fato de ser um procedimento seguro e que apresenta bons resultados. Geralmente, o pelo demora em torno de 20 a 30 dias para crescer novamente.

Fotodepilação

Na fotodepilação é utilizado um aparelho de Luz Intensa Pulsada, que através da emissão de pulsos de luz com geração de calor, enfraquece os pelos. Os pulsos de luz vão atuar nas células germinativas do pelo, impedindo que eles iniciem a fase de crescimento. Com a fotodepilação, o pelo da área exposta à ação da luz intensa pulsada cairá gradativamente até 3 semanas seguintes a cada sessão. As mulheres normalmente precisam de cerca de 6 a 10 sessões para alcançar resultados mais satisfatórios.

Laser

O procedimento promove a retirada dos pelos através de disparos de laser que vão aquecer e queimar a raiz do folículo piloso. Estima-se que este método seja capaz de eliminar cerca de 80% dos pelos de forma definitiva. Entretanto, é considerado um método mais agressivo, principalmente se comparado a fotodepilação.

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Alfaparf Milano apresenta nova Color Wear com fórmula vegana

A Alfaparf Milano, multinacional italiana de cosméticos capilares, lança para o mercado de beleza sua nova linha Color Wear, totalmente reformulada e agora com fórmula vegana, sem ingredientes de origem e derivação animal. A já reconhecida coloração tom sobre tom está de cara nova e tem em sua base a tecnologia patenteada em arginina, um aminoácido que é um inovador agente alcalinizante de origem 100% natural obtido a partir de açúcares vegetais. A arginina tem o poder de substituir os agentes químicos mais utilizados e difundidos do mercado: a amônia e MEA.

A arginina deixa as cutículas muito mais definidas e com – 62% de erosão cuticular. O MEA deixa-as desgastadas e erodidas. Essa comparação foi feita após repetidas aplicações e análises minuciosas.

A linha Color Wear tem um total de 46 nuances, sendo que cinco novas cores foram elaboradas para este lançamento: Irisè – 9.02 e 9.2, Areia – 10.13, Cinza – 7.12 e Cobre – 10.324.

Alfaparf Milano lança nova Color Wear.
Foto: Divulgação.

De acordo com o Ibope Inteligência, há uma projeção de que sete milhões de brasileiros sejam veganos. Foi pensando neste público e nas pessoas que estão cada vez mais informadas, atentas à saúde e optando por produtos naturais, delicados e que agridam cada vez menos a fibra capilar e o meio ambiente, que a Alfaparf Milano se comprometeu em desenvolver uma nova fórmula Color Wear totalmente vegana para os cuidados dos cabelos mantendo sua tecnologia de ponta e altíssimo padrão de formulações.

As mulheres finalmente estão orgulhosas em poder se expressar e metade delas já convencidas de que as cores com base natural têm o mesmo desempenho das cores tradicionais. Uma pesquisa realizada na Itália mostra que 49% das consumidoras que pintaram os cabelos nos últimos 12 meses acreditam que as colorações naturais são tão eficazes quanto as tradicionais. Color Wear é a evolução natural do conceito de tom sobre tom e o aliado ideal para viver plenamente todas as fases da vida.

“Color Wear propõe ao (a) cliente que viva cada fase de sua vida completamente, bem como diz a hashtag do lançamento #liveitfully, desde a primeira coloração até aos cabelos brancos que virão e poderão ser exibidos com muito orgulho e beleza”, afirma Julia Alves, diretora de marketing da Alfaparf Milano. Mas a revolução maior com esse lançamento é ainda para o profissional cabeleireiro.

“A nova coloração tom sobre tom chega para enriquecer a oferta dos serviços no salão de beleza. O cabeleireiro poderá oferecer o produto para uma primeira coloração, àquela mulher que nunca coloriu e não o faz por medo dos danos, Color Wear tem fórmula vegana, delicada e que não agride os cabelos; poderá oferecer como um serviço gloss, para realçar a cor cosmética ou natural dos cabelos oferecendo brilho extremo; também após os serviços de descoloração, a tonalização pode ser realizada delicadamente, proporcionando brilho e hidratação dos cabelos graças ao pool de óleos na fórmula; ou ainda para exaltar os cabelos brancos e grisalhos com duas nuances novas: 9.02 e 10.02”, finaliza Julia.

A mudança não foi realizada apenas na fórmula, mas também na embalagem. O novo cartucho foi fabricado com papel 90% reciclado, um QR Code foi inserido para substituir o folheto de instruções, o que dminui o consumo de papel, e todos os tubos serão fabricados com alumínio pós-industrial 100% reciclado, onde a emissão de CO2 será reduzida em 20% e um menor impacto ambiental. Vale lembrar que o tubo de alumínio reciclado garante as mesmas características esperadas de um tubo de alumínio padrão.

A nova fórmula vegana de Color Wear é delicada e livre de amônia, MEA, PPD, álcool e silicones. Ela foi enriquecida com uma combinação dos óleos: argan, amêndoa doce, semente de camélia, semente de girassol e semente de chá verde que têm propriedades protetivas, nutritivas, antioxidantes e anti-frizz, além de garantir 100% de cobertura homogênea. O processo de fermentação ao qual os óleos são submetidos aumenta a sua eficácia, dividindo as moléculas complexas em moléculas mais simples, tornando o conjunto de óleos mais biodisponível para o cabelo.

A textura inovadora em creme gel é fácil de aplicar e enxaguar. Graças à presença de um complexo emulsificante patenteado, permite uma distribuição uniforme da cor para um resultado homogêneo e não escorre durante a aplicação. Color Wear proporciona até 149% a mais de brilho, penteabilidade até 11 vezes mais fácil, cor mantida até 92% após 12 lavagens e até 38% de integridade do cabelo.

A fragrância delicada tem um início fresco e frutado e é entrelaçada com um elegante coração florido sobre um fundo suave amadeirado, almiscarado e abaunilhado. Essa pirâmide olfativa contém madeira de cedro, almíscar, baunilha, lírio do vale, rosa, íris, bergamota, abacaxi e maçã.

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Jequiti apresenta novo visual das linhas Meu Bebê Original e Meu Bebê Fofinho

As linhas Meu Bebê, da Jequiti, estão de cara nova! Elas foram modernizadas com embalagens mais coloridas e estão repletas de elementos lúdicos que acompanham os bichinhos que são temas dos produtos, valorizando o amor incomparável entre pais e filhos. Meu Bebê exalta os preciosos momentos do banho e dos cuidados com o bebê, que constroem um dos laços mais especiais, o laço entre pais e filhos, por meio dos sentidos. É o prazer de deslizar os dedos pela pele suave do bebê e desfrutar o cheirinho tão acolhedor e característico dos pequeninos.

Leia aqui artigo sobre cosméticos infantis.

Mesmo de carinha nova, os produtos mantêm a excelência e preservam a fórmula exclusiva para a pele dos bebês de 0 a 3 anos, com ingredientes seguros, além de toque de carinho e fragrância aconchegante, com notas florais, musk, sândalo e baunilha. Tudo o que as mamães precisam para manterem os seus bebês sempre protegidos e perfumados!

A linha Meu Bebê Original é composta por shampoo (200ml), condicionador (200ml), sabonete líquido da cabeça aos pés (200ml), sabonete em barra (2 unidades de 90g), loção hidratante corporal (200ml) e água de colônia (100ml). Já a Meu Bebê Fofinho inclui shampoo (200ml), condicionador (200ml), sabonete em barra (2 unidades de 90g) e água de colônia (100ml). A linha completa é uma ótima opção para presentear mamães e papais.

De ambas as linhas, shampoo, condicionador e sabonetes (líquidos e em barra) são sem lágrimas, oftalmologicamente e dermatologicamente testados. Água de colônia e hidratante também são dermatologicamente testados. Todos os produtos têm perfume floral, PH balanceado e são totalmente livres de álcool etílico, sendo aprovados e recomendados por pediatras.

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por que o álcool gel está melequento?

Se tornou comentário geral nas redes sociais nos últimos dias com as pessoas se perguntando “por que o álcool gel está melequento”? O termo correto seria pegajoso, mas melequento também se aplica. Aliás vários foram os apelidos que ouvi nos últimos meses para os álcoois gel alternativos, mas vamos às respostas.

Por que o álcool gel está melequento?

O excesso de glicerina (Glycerin) pode deixar o produto pegajoso, com sensação melequenta, mas não é esse o principal motivo da reclamação dos brasileiros em 2020. A resposta está nos próximos parágrafos.

A partir de março, com a oficialização da pandemia no Brasil, as pessoas correram às farmácias e supermercados para comprar álcool gel e se protegerem do coronavírus (depois de quase um ano, não precisamos mais chamá-lo de novo coronavírus, não é mesmo?). Com isso a demanda aumentou exageradamente, ocasionando a escassez de uma das principais matérias-primas responsáveis pela produção de gel: o carbômero, popularmente conhecido como Carbopol. Na verdade toda a classe de espessantes acrílicos ficou em falta no mercado mundialmente! Isso aconteceu em 2009 na pandemia da gripe H1N1.

A diferença dessa vez foi que a Anvisa permitiu a comercialização de álcool gel com matérias-primas similares em situação extraordinária com a publicação da Resolução RDC 350/2020. Essa resolução possibilitou às empresas o preparo e comercialização de fórmulas oficinais do Formulário Nacional sem a necessidade de registro durante 180 dias. Por sinal, esse prazo termina em 19 de setembro de 2020 e os produtos comercializados nesse caráter de exceção devem ter prazo de validade de 180 dias.

É nesse momento que entrou o álcool gel pegajoso, ou o álcool gel melequento. Como já descrevi com detalhes em outro artigo sobre como fazer álcool gel, esse tipo de produto é composto basicamente por 3 ingredientes: álcool, água e espessante. O aspecto consistente e a aparência límpida do álcool gel a qual estamos acostumados é dada pelos espessantes acrílicos, como o Carbopol. Na falta deles, muitas empresas recorreram a espessantes naturais como os derivados de celulose. O mais utilizado foi a hidroxipropil metilcelulose (Hydroxypropyl Methylcellulose), pois não é qualquer espessante natural que é capaz de espessar mistura de álcool e água. A queridinha goma xantana (Xanthan Gum), por exemplo, não é capaz de manter o aspecto gel de misturas hidroalcoólicas.

Álcool gel com celulose fica mais fluido, opaco e pegajoso, mas é eficaz.

Uma característica principal desses geis de celulose é a pegajosidade e o aspecto levemente turvo. Logo, se o gel que você tem não é límpido pode ser um gel de celulose. É importante destacar também que a viscosidade, ou seja, a consistência também é mais fluida. Esses produtos alternativos escorrem muito mais facilmente que um gel.

O álcool gel melequento é eficaz contra coronavirus?

Independente do espessante utilizado, se o álcool gel foi preparado na proporção correta de álcool e água, ele será eficaz contra microrganismos, inclusive o vírus SARS-Cov-2. O responsável pela ação antisséptica do álcool gel, adivinha!, é o álcool e não o Carbopol. Então não há motivo para preocupação.

Nesse ano, as vigilâncias sanitárias locais estão fiscalizando os estabelecimentos que preparam álcool gel e tomando as ações cabíveis no caso de infrações. É assim que deve ser!

Tem alguma dúvida sobre cosméticos e produtos de higiene ou algum de seus ingredientes? Fala com a gente que nós esclarecemos! Pode ser por e-mail, formulário de contato, comentários em artigos, DM em redes sociais, etc.

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Herbíssimo lança linha de desodorantes Bioprotect

A empresa Dana possui em seu portfólio a já consagrada linha de desodorante Herbíssimo Creme. A linha Herbíssimo Creme, composta pelas versões tradicional, action, sensitive, fresh e neutro é desenvolvida com a fórmula exclusiva Hidra+, que contém ingredientes que prometem promover a hidratação das axilas por até 48 horas.

Para complementar a família, a marca apresenta duas versões de Herbíssimo Bioprotect, com nanocápsulas que prometem eliminar progressivamente as bactérias causadoras do mau odor.

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