O Cosmética em Foco desconhece uma definição legal para “contratipos de produtos cosméticos”, mas o fato é que esses produtos estão disponíveis no mercado. Basicamente, a ideia consiste em reproduzir as características de um produto de marca de renome que faz bastante sucesso em volume de vendas, mas com a vantagem de oferecê-lo a um preço mais acessível ao consumidor.

No caso de perfumes, em que os contratipos encontram um grande mercado no Brasil, busca-se desenvolver um produto inspirado em uma fragrância ou família olfativa capaz de se aproximar ao máximo possível da marca ou produto alvos. No entanto, o contratipo custa menos porque usa matérias-primas locais e/ou de menor custo (não necessariamente piores!) e porque não tem os mesmos gastos com lançamento, publicidade e design de embalagem. Sim, geralmente, a embalagem dos contratipos não são tão atrativas quanto as dos perfumes originais, e há quem diga que o ‘glamour’ das grandes grifes se perde. Mas alguns contratipos conseguem chegar a resultados muito bons!

No caso de outros segmentos, os contratipos ainda são uma estratégia mais tímida. Há alguns anos, uma fabricante mineira de produtos de limpeza doméstica lançou um contratipo que na minha opinião foi muito criativo: o limpador multiuso Oia, em contratipo ao líder de mercado Veja. Mas em geral não há tantas reproduções no mercado brasileiro, diferentemente dos Estados Unidos, onde a prática da contratipagem é bastante comum.

Contratipo de creme para os olhos.

Nos EUA, grandes distribuidores e varejistas de produtos farmacêuticos e cosméticos (por exemplo: CVS, Walgreens etc.) rotineiramente lançam marcas próprias a um custo mais acessível. É muito parecido com o que se vê hoje nas gôndolas de redes de supermercados como o Carrefour e o Pão de Açúcar, só que nas farmácias e drogarias, por exemplo! A Figura 1 apresenta como exemplo um creme para os olhos que menciona na própria embalagem o nome e marca do produto ao qual reproduz. O modo de usar, os ingredientes ativos e os apelos do contratipo são basicamente os mesmos do produto original, com uma sutil mudança na redação das informações. Até as tonalidades da embalagem não muito semelhantes neste caso! No entanto, o produto original contém lipossomas patenteados (denominados Tecnologia de Liberação MVE), que por serem protegidos por patente não podem ser utilizados pela fabricante do contratipo, sem as devidas autorizações.

Contratipo de hidratante facial com FPS 15.
Foto: Cosmética em Foco

De qualquer forma, é necessário esclarecer que contratipos não são falsificações. Ao contrários das falsificações, os contratipos não tem o propósito de enganar o consumidor. A estratégia de contratipagem tem como princípio deixar bastante evidente que se trata de uma cópia, uma alusão, uma alternativa inspirada em outro produto que já é líder de mercado. Além disso, os contratipos passam pelo mesmos testes de segurança e (opcionalmente) eficácia que os produtos originais. Já os produtos falsificados podem representar um grande risco para a sua saúde!Talvez haja no Brasil algum tipo de impedimento regulatório, seja por parte das autoridades sanitárias ou de publicidade e propaganda, que impeça o lançamento desses contratipos no mercado nacional. Se a estratégia lhe interessou, recomendamos que procure se informar antecipadamente. Se você teve algum tipo de experiência com essa questão legal, agradeceríamos se compartilhasse com a comunidade do Cosmética em Foco para que possamos juntos aprimorar nosso entendimento e encontrar soluções.