Especial Verão 2010 – Parte 2

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Os tipos de pele

A tabela abaixo apresenta os tipos de pele segundo a classificação de Fitzpatrick, baseada na resposta da pele à exposição ao sol. Ela é muito utilizada como referência em testes de FPS.

Fototipos de pele na classificação de Fitzpatrick.

Os filtros solares

Os filtros solares são substâncias químicas que têm propriedade de absorver, refletir ou dispersar a radiação que incide sobre elas. São classificados como:

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Filtros orgânicos: compostos aromáticos conjugados a um grupo carbonila e grupos doadores de elétrons (amina ou metoxila) nas posições orto ou para, que têm a capacidade de absorver e dispersar a energia recebida, por meio de um fenômeno químico (muito) conhecido como ressonância. Por essa razão também são classificados como filtros químicos ou absorvedores. Desta classe, os mais conhecidos são metoxicinamato de octila (octyl methoxycinnamate), benzofenona-3 (benzofenone-3) e avobenzona (avobenzone).

Filtros inorgânicos: muito utilizados em formulações infantis devido a seu baixo potencial alergênico, são pós inertes e opacos, insolúveis em água e óleo. Eles formam uma barreira sobre a pele, refletindo e dispersando a luz UV (ocorre uma mínima absorção, insignificante se comparada aos filtros orgânicos). Os mais utilizados pela indústria nacional são o óxido de zinco (zinc oxide) e o dióxido de titânio (titanium dioxide), os responsáveis por aquela cena típica da praia: o produto branco no nariz e bochecas.

O que é o FPS?

O Fator de Proteção Solar (FPS) é a relação das energias necessárias para induzir, em voluntários humanos, uma resposta eritemática cutânea (vermelhidão) mínima na pele protegida e não protegida pelo produto, através de radiação ultravioleta (UV) emitida por uma fonte artificial.
A Determinação do Fator de Proteção Solar se baseia numa relação da MDE (mínima dose eritemática) da pele protegida com o produto estudado sobre a MDE da pele não protegida.

A mínima dose eritemática na pele (MDE) é considerada como a quantidade mínima de energia radiante necessária para produzir vermelhidão.
Para um estudo completo, um mínimo de 10 voluntários é suficiente se o intervalo de confiança a 95% (95% CI) do FPS encontrado no ensaio, estiver dentro da variação de ± 20% do FPS médio (FPSm). Caso contrário, o número de voluntários é aumentado até que se atinja o critério estatístico (máximo de 20 voluntários).

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O FPS está diretamente relacionado à quantidade e à natureza dos filtros solares utilizados na elaboração do produto. Quanto maior o valor do FPS, maior será o nível de proteção (já sabemos de posts anteriores que isso é relativo, pois depende da reaplicação do produto).

Para escolher o FPS ideal para o seu tipo de pele, deve-se levar em consideração regiões que não estão expostas ao sol com freqüência, como braços ou rosto. Mais importante ainda é saber que se a sua pele for dos fototipos I ou II, de nada adiantará ficar o dia inteiro sob o sol sem fotoprotetor ou apenas com bronzeador, que o único resultado dessa irresponsabilidade será acelerar o envelhecimento cutâneo e aumentar bastante o risco de surgimento do câncer de pele.

Metodologia de determinação do FPS

 

O FPS pode ser determinado “in vitro” ou “in vivo”. No Brasil, a Resolução RDC 237/02, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), determina que os produtos que apresentam no rótulo um número de FPS devem, obrigatoriamente, apresentar estudo que comprove esta informação utilizando a metodologia do Food and Drug Administration (FDA, órgão regulador dos Estados Unidos) ou a norma COLIPA (da União Europeia). Ambos os testes são realizados “in vivo”, ou seja, em seres humanos voluntários.

Metodologia FDA: o Fator de Proteção Solar de um produto é determinado a partir da média do FPS obtido através da aplicação do produto nas costas de 20 (vinte) voluntários que são expostos a uma fonte de luz artificial que simula a radiação solar. A média final encontrada não pode ser inferior ao FPS declarado na embalagem do produto pelo seu fabricante e a variação dos 20 (vinte) valores encontrados não pode ser maior que 5%.

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Metodologia COLIPA: este método pode ser aplicado no mínimo em 10 (dez) e no máximo em 20 (vinte) voluntários, dependendo da relevância estatística desejada. Assim como no método anterior, o FPS também é obtido a partir da média dessas medições. Os parâmetros para a aprovação permitem uma variação de +20% em relação ao FPS declarado.

O valor do FPS é determinado pela razão entre o tempo de exposição até o início de eritema (vermelhidão) na pele com filtro solar e o tempo de exposição até o início de eritema na pele sem filtro solar.

Para este tipo de teste, o ideal é utilizar voluntários com pele de fototipo I, II ou III, que são mais sensíveis e necessitam maior fotoproteção que os outros fototipos.

Mas e a proteção UVA?

Se o FPS é determinado levando-se em consideração o eritema, ele preocupa-se muito mais com a radiação UVB. É certo que entre UVA e UVB, a radiação UVB oferece mais risco, mas e a proteção UVA?

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A Austrália, o país mais avançado em pesquisas nesta área, já possui metodologia específica para garantir a eficácia da fotoproteção UVA. Enquanto ela não chega aqui, as empresas garantem a proteção UVA utilizando filtros químicos que absorvem a energia no comprimento de onda das radiações UVA.

E como dizem os twitteiros #ficadica: se você quer se bronzear (e se o seu fototipo de pele permite essa façanha) não precisa abrir mão dos protetores solares, pois a maior faixa de atuação deles é a radiação UVB, mas a grande responsável pelo bronzeamento é a radiação UVA! Bingo! Mas isso não significa que não se deva usar fotoprotetores UVA porque ela também tem potencial carcinogênico, ou seja, também pode causar câncer de pele. Quer saber mais sobre como chegar ao bronzeado perfeito? Espera mais um pouco que logo, logo, chegaremos lá. Mas eu adianto: a alimentação está intrinsecamente relacionada!

Tem dúvidas?

Não entendeu alguma parte deste post ou de todo o Especial Verão 2010 do site Cosmética em Foco? Quer perguntar algo sobre verão, envelhecimento, câncer de pele, fotoprotetores, bronzeadores ou qualquer outro assunto relacionado a estação mais quente (e chuvosa) do ano? Então envie suas perguntas por email, twitter ou comentário, pois teremos uma postagem exclusiva para responder essas perguntas no fim deste projeto.

Fontes:
INMETRO. Protetor Solar. Acesso em 04/01/2010.
INMETRO. Protetor Solar II. Acesso em 04/01/2010
RIBEIRO, Cláudio. Cosmetologia Aplicada a Dermoestética. São Paulo: Pharmabooks, 2006. pp.82-3, 88, 109

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