Fórmula mínima: quando menos é mais

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Uma das máximas da arquitetura moderna, “menos é mais” (clique aqui para saber mais sobre o autor dessa famosa frase) se tornou o mote dos cosméticos no século XX. A ciência cosmética de apropriou do minimalismo das artes (afinal, formular cosméticos ainda é uma mistura complexa e inexata de arte e ciência).

Se eu tenho, por exemplo, um sabonete líquido com 16 ingredientes, posso me esforçar para reduzir isso para no máximo 8 ou 9 itens. O raciocínio é simples: a fórmula perfeita que limpa, hidrata e condiciona não é economicamente viável tanto do ponto de vista financeiro quando do ponto de vista de produção industrial (nem mesmo fabricações artesanais comportam fórmulas com tantos ingredientes e etapas de adição de produtos). Então vamos aos questionamentos principais. Se você está desenhando uma nova fórmula hoje, pare! Vem comigo, vamos refletir juntos.

Comece com uma fórmula mínima

Quando estiver criando um novo produto, comece com uma fórmula mínima, simples, contendo 6 ingredientes: solvente, tensoativo principal, aditivo de sensorial, aditivo de performance, conservante e fragrância. A partir dessa fórmula-base, vá adicionando os ingredientes necessários para que a sua fórmula tenha o efeito e resultado desejados. Por exemplo, se o que você precisa é de condicionamento, por incluir um poliquatérnio (há pelo menos uma centena deles disponíveis no mercado).

Faça testes de desempenho (ou performance para quem prefere o termo em inglês) e se for necessário mais algum ajuste, é porque você ainda não atingiu o número suficiente de ingredientes. Nessa etapa, prefira ingredientes funcionais, que desempenham mais de uma função na fórmula, por exemplo, um agente gelificante que além de estabilizar a viscosidade ainda contribui para a formação da espuma em um shampoo ou sabonete líquido.

Se em algum momento você adicionar um ingrediente que não gerou muita diferença em um teste de desempenho, não pense duas vezes e retire-o da fórmula. Assim, quando houver diferencial significativo no desempenho do produto, você saberá a razão de cada ingrediente presente na sua fórmula.

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Como será o processo industrial da sua fórmula?

É comum vermos processos com diversas etapas e fases de adição de ingredientes, com pré-misturas de uma única matéria-prima antes de ser adicionada ao recipiente principal. Se a sua nova fórmula tem diversas etapas com recipientes auxiliares de pré-mistura, reflita se cada etapa é realmente necessária. É possível fazer uma única pré-mistura de 3 ou mais ingredientes? Todos eles são essenciais para o resultado final do seu produto?

Como geralmente o formulador acompanha os primeiros lotes industriais, se não for pela empatia ao setor alheio, seja egoísta e pense: vou ter paciência de ficar 5 ou 6 horas acompanhando a fabricação desse produto ou posso otimizar a fórmula para ter um processo de, no máximo, 2 horas? Ganha a empresa que otimiza processos e reduz custos, ganha engenharia e produção que têm um bom fluxo de manipulação e envase da fórmula; ganha o meio ambiente com um processo com menos dispêndio de energia e menos água para lavagem de utensílios e recipientes auxiliares para pré-mistura e ganha o consumidor com um produto bom e que pode até ser vendido mais barato.

Se tenho diversos anexos (fase auxiliar), posso reduzir para uma única etapa de adição? Se não for possível, todos os ingredientes que devem ser adicionados e/ou pré-misturados separadamente são essenciais para o meu produto?

Últimas considerações

Não se preocupe em criar fórmulas mirabolantes, pois quanto mais simples, menos problemas de estabilidade e menor o risco de interações entre os ingredientes e até mesmo de reações inesperadas quando seu produto for para o mercado. Formular um novo produto não tem que ser complicado. Começando dessa forma, com poucos ingredientes e testando passo a passo a sua eficácia você vai obter uma fórmula efetiva, otimizada e estável mais rapidamente.

Não se intimide! Muitos dirão: “mas essa fórmula não tem nada”. Minha eterna resposta em defesa das fórmulas simples é: não é que ela não tem nada, é que essa fórmula possui o mínimo necessário para ter um bom desempenho e ser aceita pelos consumidores. Ou você pode ainda esbanjar cultura e dizer: “menos é mais, já dizia Mies van der Rohe” (se você souber pronunciar esse sobrenome, é claro. Eu não sei!).

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3 Comentários
  1. Tatiana Perecin Diz

    Estou gostando bastante do site, em especial as sessões Leia o Rótulo.
    PS – o nome do arquiteto citado se pronuncia “mis-van-der-rô”

    1. Cosmética em Foco Diz

      Obrigado pelo comentário Tatiana. E por esclarecer nossa dúvida sobre a pronúncia do nome. rs

  2. […] As formulações atuais tendem a trabalhar cada vez mais com tecnologias arrojadas e a expertise em matérias-primas de um modo geral é vital para que seja um produto mais com menos, veja mais sobre o tema aqui. […]

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