O valor da experiência profissional na indústria da beleza

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Já falamos algumas vezes sobre pós-graduação aqui no Cosmética em Foco. Primeiro diferenciamos uma pós-graduação lato sensu de stricto sensu, depois citamos alguns cursos oferecidos no Brasil. Também já discutimos sobre a importância de se ter alguma experiência profissional antes de iniciar uma pós-graduação (isso está aqui no nosso canal Cosmética em Pauta). Mas e quando não estamos mais falando de teoria, e sim da prática? Quanto vale a experiência profissional no mercado de trabalho?

Como alguém que gosta de estudar, adora ler e compartilhar o aprendizado, sempre me questionei sobre a real valorização do conhecimento no mercado de trabalho. Então recebo um tema que me leva para o outro lado: o valor da experiência profissional no mercado de trabalho. Primeiro coloco os dois em cheque. Depois avalio um. Então avalio o outro.

Currículo em branco é melhor experiência profissional ou conhecimento teórico?
O que valoriza mais o currículo: experiência profissional ou conhecimento teórico?
Foto: Vichaya Kiatying-Angsulee / FreeDigitalPhotos.net

Experiência profissional x Conhecimento teórico

Acho interessante (mais) esse dualismo em nossas vidas. Por que vida pessoal tem necessariamente que ser independente da vida profissional? Por que a experiência profissional empírica tem que estar no extremo oposto do conhecimento teórico? Afinal, não existe prática sem teoria e não enxergo a existência de teoria sem prática. A filosofia, por exemplo, é apenas teórica, você pode supor. Mas ela é fruto da observação e a observação é empírica.

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A experiência profissional é válida quando permite a evolução e o crescimento. Observar a prática diária e questioná-la pela teoria. Ou ainda, usar o conhecimento teórico para incrementar a prática.

Na teoria sempre parece simples, não é mesmo? Mas colocar em prática é complexo. Mudanças exigem comprometimento e disciplina e muitas vezes os profissionais não estão dispostos. Talvez daqui venha o dualismo teoria versus prática.

Mas não podemos nos acomodar a isso. Não podemos distanciar tanto a teoria da prática porque uma ajuda a outra. E para sermos inovadores e competitivos é necessário evoluir e se adaptar às mudanças no mercado. O mesmo vale para o mercado de trabalho.

Experiência profissional empírica

O dia a dia no trabalho, as atividades novas e as que se repetem, pouco a pouco nos tornam habilidosos. Para quem trabalha no laboratório, nas primeiras fabricações de pilotos de bancada, certamente algumas (para não dizer quase todas) foram uma tragédia. O creme não mistura; depois que resfria aparecem partículas de ceras que não fundiram completamente; um creme que é macio tem aspecto esfoliante devido a presença de grânulos de algum ingrediente que não dissolveu; no dia seguinte o produto volta a ser água e qualquer gosma branca sem nome definido no dicionário; enfim, diversos são os exemplos (evite a separação de fases, calcule o EHL).

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A experiência profissional empírica é adquirida com os erros e acertos do dia a dia.
Foto: imagerymajestic / FreeDigitalPhotos.net

Mas a partir daí aprendemos que para a completa fusão das ceras de um creme, temos que aquecer a 60°C. E também descobrimos que aquele produto X, para ser preparado é necessário mexer o béquer três centímetros para a direita, subir e descer duas vezes e deixar agitando à temperatura ambiente por 2 horas. A gente aprende que por mais que não haja nenhuma menção específica na literatura do ingrediente, ele deve ser sempre o primeiro ou o último a ser adicionado à fórmula. Ou que ele deve ser adicionado sempre misturado com algum outro ingrediente. Ou deve ser adicionado sempre após um determinado ingrediente. Parabéns! Isso é experiência profissional empírica.

Por que? Porque fizemos assim e assim sempre dá certo. Porque um amigo que trabalha com isso há três décadas faz assim. Porque quando tentei de outra forma não funcionou. E onde está registrado isso? Onde está a explicação para esses fenômenos?

Conhecimento teórico

É importante a consolidação do conhecimento teórico. Aquele compartilhado na forma de artigos, revistas, livros ou em exposições orais (aulas, palestras, seminários, workshops, congressos, etc.). Porque esse conhecimento é registrado e ele busca explicações para o que se observa no mundo real. Esse tipo de conhecimento tem por base tudo o que já foi explicado antes e avança mais uma etapa.

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No momento atual do mundo em que vivemos, não há algo tão novo, mas tão novo, que não tenha qualquer relação com outro algo já existente. Por exemplo: qualquer ativo clareador de manchas na pele será inevitavelmente comparado à hidroquinona. Não haverá uma nova molécula hidratante que não será comparado à ureia (urea), ao pantenol (panthenol) ou ao PCA-Na (sodium PCA), por exemplo.

Isso não significa que o conhecimento teórico seja mais importante que a experiência profissional empírica, significa?

Então, o que vale mais?

Hoje vem informação de vários lados. Há diversos grupos de pesquisa sobre cosméticos e higiene pessoal, então ficar algum tempo sem conferir, parece que mudou muita coisa. Ao mesmo tempo, ao participar de congressos frequentemente, parece que nada mudou, pois os temas principais são sempre os mesmos. É natural, afinal os temas de maior interesse são os mesmos, tais como mecanismos de prevenção do envelhecimento cutâneo e recuperação dos danos dos cabelos, para citar alguns.
Assim, conhecer novidades e caminhos por onde vai a ciência cosmética é fundamental para seguir a rotina de trabalho.

É importante também sempre se manter atualizado quanto à teoria, porque a ciência cosmética não necessariamente caminha junto com as ciências sociais na identificação das expectativas e necessidades dos consumidores. Demora mais para encontrar a solução para um mecanismo de estímulo da síntese de colágeno do que os consumidores se darem por satisfeitos com o que tem disponível atualmente e perceberem que falta algo a mais em seus produtos.

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A nossa tarefa, nós da indústria da beleza, é assegurar que as pessoas tenham acesso ao mais revolucionário tratamento de beleza com o mais alto padrão de segurança, ou seja, com o menor risco à saúde. Ainda bem que não é fácil, assim teremos sempre muito trabalho e muitos desafios a superar.

Para quem atua na área de estética, então, ignorar o conhecimento científico teórico é quase sinônimo de abandonar a própria carreira, pois há muita evolução de um ano para o outro. Há adaptações em técnicas, há melhorias nos equipamentos utilizados, e esses profissionais precisam estar atualizados. O mesmo vale para os que só se dedicam à teoria, a experiência profissional empírica nesse caso é crucial para um bom atendimento e conforto do cliente durante todo o tratamento. Em nenhum livro você vai aprender o momento de reconhecer o início de reação de irritação cutânea após a aplicação do produto. Isso vem com a prática, com cursos práticos, conversando com o cliente durante o serviço.

Alguns profissionais com muita experiência prática preferem lutar contra a evolução do conhecimento científico.
O que vale mais: conhecimento teórico científico ou experiência profissional empírica?
Foto: radnatt / FreeDigitalPhotos.net

Se a sua área é o comercial e marketing, então, mais ainda, não deixe a teoria sobrepassar a prática, porque você não vai encontrar em compêndios de marketing a hora certa de pressionar o cliente para fechar um negócio. Artigos científicos não ensinam as melhores palavras para colocar no rótulo de um produto. Isso é adquirido com a prática, é com a experiência profissional empírica que você vai aprender a reconhecer quando o cliente está perdendo o interesse em sua exposição e esse é o sinal para você falar mais tecnicamente ou menos tecnicamente. E essa capacidade de falar mais ou menos tecnicamente depende diretamente da sua dedicação à teoria científica relacionada ao assunto. Para o rótulo do produto, no exemplo do profissional de marketing, é crucial saber se o seu cliente entende o significado daquele termo, ou você pode leva-lo a concluir algo que não é bem o seu objetivo. Levanta da sua mesa, corre na loja mais próxima e pergunta a uma consumidora no ponto de venda o que é frizz. Depois pergunte a mais duas ou três. Então pergunte a pelo menos um homem. A resposta mais comum é: “não sei. Só sei que não é bom porque o produto é anti-frizz”. Há explicações diversas para o que vem a ser frizz nos cabelos, mas até agora pouco consenso. Onde vamos encontrar essa e outras respostas? Nas publicações científicas, escritas por quem dedica seu tempo estudando definições importantes para o dia a dia.

Considerações finais

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Para esse texto, pensei em falar diversas coisas como o real valor de um alguém com experiência profissional empírica e o real valor de um profissional com conhecimento teórico científico. Mas é tudo tão incerto, tão variável que seria muita pretensão achar que conseguiria expor em um texto. Há empresas que valorizam muito mais a experiência e há empresas que valorizam mais o conhecimento, quem define o que é melhor é você. No que você é melhor? Em que você dedica mais do seu tempo?

O que posso dizer para acalmar os corações mais aflitos de quem tem grandes expectativas é: tenha paciência e se dedique à sua carreira. Finalizo lembrando um texto sobre sucesso que publiquei no LinkedIn. Você precisa saber o que é sucesso para você, porque ao contrário do que insistem em divulgar: bem sucedidos não são apenas os que se tornam gerentes, diretores e presidentes. Bem sucedido é o profissional que atinge seus objetivos pessoais e leva a empresa aos objetivos estratégicos da organização. Bem sucedido é o profissional que arrisca, mas também reconhece suas falhas; é o que ouve as críticas e tenta ser melhor a cada dia. Seja um desses e o reconhecimento será questão de tempo.

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