Parabenos: Mitos e Verdades

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É preciso dizer a verdade apenas a quem está disposto a ouvi-la.
Sêneca 

Desde meados de 2004 somos constantemente bombardeados por artigos publicados nos meios de comunicação e internet que induzem o consumidor a evitar o uso dos produtos que utilizem os parabenos como sistema conservante. Não só desestimulam o uso, como promovem a qualidade dos produtos sem parabenos ou com conservantes “naturais”.

Grande parte desse bombardeio de informação contra os parabenos se deve a dois estudos: um de 1998 elaborado por Routledge et al, que descobriu a atividade estrogênica dos parabenos e outro estudo de 2004, elaborado por Darbre et al, que cita o encontro de parabenos intactos em tecido canceroso de seio humano.

Os parabenos são compostos encontrados naturalmente em várias espécies animais e botânicas, como cevada, morango, groselha, damasco, cenoura e secreções vaginais de cadelas no cio, portanto declarar que produtos sem parabenos são “naturais” ou “verdes”, foge do contesto real destes compostos; apesar de não podermos assegurar que por estarem presentes na natureza sejam mais seguros.

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Um erro clássico encontrado nas afirmações negativas dos efeitos “tóxicos” dos parabenos é o de incluir todos os parabenos numa única classe e afirmar que o “uso de parabenos causa câncer”. Por exemplo, podemos citar o mesmo estudo de 1998, que não encontra nenhuma atividade estrogênica ligada ao metilparabeno e se descobriu que a atividade do butilparabeno é 100.000 vezes mais fraca que a do estradiol (referência para medir a atividade estrogênica).

No entanto é questionável se essa atividade estrogênica extremamente fraca justifica o rótulo de “estrogênico”, especialmente quando esse efeito fraco é obtido com uma dose 4000 vezes maior à dose usualmente utilizada. Os fitoestrógenos ingeridos diariamente possuem atividade 2000 vezes mais fraca que o estradiol e não levantam as mesmas preocupações e polêmicas em torno de sua atividade, como fizeram com os parabenos.

Vários pesquisadores criticam a ligação do uso de parabenos com câncer de mama, e várias destas críticas partem de pontos controversos apresentados no estudo de 2004 de Darbre. A maioria das críticas enfoca a metodologia empregada, a detecção de parabenos nas amostras controle, ausência de diferença estatística entre as concentrações de parabenos nos tecidos pesquisados e amostra controle. Além disso, houve ausência de diferença estatística entre as relações dos cinco parabenos detectados.

As observações principais formuladas pelo parecer da Comissão Europeia de Saúde e Defesa do Consumidor em relação às publicações de Darbre e Harvey  foram as seguintes:
-Havia algumas deficiências importantes no desenho do estudo:

  • A falta de tecido controle quando a medição das concentrações de parabenos em tumores de mama;
  • As amostras em branco claramente contaminado com os parabenos;
  • Alta variabilidade em valores individuais em branco;
  • No estudo da história geral terapêutico dos doadores de tecidos e nenhuma menção do parabeno contido nas drogas anti-câncer que os pacientes estavam usando;
  • Nenhum estudo de exposição dos doadores para produtos de consumo que contêm parabenos;
  • Breves descrições de manipulação de tecidos;
  • O parabeno de ocorrência mais frequente era o éster de metilo, que tinha demonstrado ter a menor atividade estrogênica no in vitro e in vivo em estudos de estrogenicidade;
  • Os dados epidemiológicos existentes indicam a ausência de uma associação entre axilas, cosméticos e câncer de mama;
  • A maior parte dos cosméticos axilares não contêm parabenos como conservantes (> 98%)

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Estudos recentes descobriram que aproximadamente 30% da dose aplicada de metilparabeno na pele humana foi decomposta após 25 horas e outros estudos que tentaram descobrir a ligação entre parabenos e câncer não demonstraram qualquer vínculo.
Outros estudos ainda demonstraram grande diferença entre os efeitos dos parabenos e estradiol na expressão gênica, portanto se os efeitos dos parabenos na expressão gênica diferem do efeito do estradiol, o vínculo entre parabenos e câncer será reduzido.

Um estudo que trouxe alarde a comunidade científica, trouxe a relação entre feminilização de peixes com parabenos dissolvidos na água. Foi determinado que esses parabenos possuíam atividade estrogênica num intervalo de dose de até 300mg/Kg, e para estarem expostos a essas concentrações em um ambiente normal, os peixes deveriam nadar em 250 toneladas de shampoo que contivesse 0,3% de parabenos num volume de uma piscina olímpica, com 2.500.000 litros.

É importante salientar que em ambientes aquáticos naturais a concentração de parabenos nunca excederia poucas parte por trilhão, além desses compostos serem rapidamente biodegradados e não existirem registros de bioacúmulo de parabenos em peixes. Assim o estudo fica aberto para questionamento.

Citando a legislação atual e a opinião do Comitê Científico da União Européia de Segurança ao Consumidor, o metilparabeno e o etilparabeno são considerados seguros para o uso nas concentrações atuais. Todos os parabenos são considerados seguros para o uso em cosméticos em concentrações menores que 0,8% no total de parabenos, ou individualmente não exceder 0,4%.

Opinião do autor:

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Observamos nos estudos que discutem e relacionam o uso de parabenos à atividade estrogênica um exagero na publicidade em torno do resultado final obtido, sem observar a metodologia aplicada para a obtenção do “efeito toxicológico” observado, inclusive alguns estudos injetam nas cobaias parabenos na concentração absurda de 1 g/kg. Poderíamos encontrar um efeito tóxico para milhares de substâncias consideradas seguras, aplicando a mesma metodologia. Lembrando a célebre frase de Paracelsos: “Todas as substâncias são venenos, não existe nada que não seja veneno. Somente a dose correta diferencia o veneno do remédio.” Estudos mais sérios como os realizados por Schellauf (SCANCOS Conference 6 November 2009 – Malmö, Sweden) ou Bando (J Pharmaceut Sci 86: 759-761, 1997) sustentam o argumento de muitos cientistas de que os perigos dos parabenos foram exagerados. Estes cientistas apoiam os formuladores que desejam manter este eficaz agente conservante em suas formulações.

A grande verdade ao redor do “mito parabenos” é que esta discussão já ultrapassou o debate científico, chegando à preocupação do consumidor final, grande parte devido as más informações rapidamente difundidas pela internet, fornecedores e algumas marcas de cosméticos, apesar de ainda não termos um estudo confiável que identifique risco aceitável aos parabenos e justifique seu desuso.

Como o Gustavo disse em 02/2008, em um post sobre parabenos: “Infelizmente, a divulgação desses estudos foram suficientes para que a história caísse no senso comum da população e do mercado e os parabenos foram taxados como sendo perigosos para a saúde. Hoje o que se observa é que qualquer um escreve algumas linhas sem qualquer embasamento técnico-científico, divulga na internet dizendo que não se devem utilizar produtos que contenham parabenos e citam inúmeros dos quais eles são parte. O que é, no mínimo, injusto e impróprio, pois assim nós, formuladores, temos que retirar os melhores conservantes de nossos produtos e manter o cosmético nosso de cada dia com o mesmo preço e com a mesma eficácia conservante”.

Saiba mais:
http://revistadecosmetologia.com/detalhes_toxicologia.php?id=21
http://www.cosmeticsonline.com.br/2011/
http://www.cosmeticsandtoiletries.com/
http://www.maxgreenalchemy.com/images/ParabenReportDarbre.pdf
https://cosmeticaemfoco.com.br/2008/02/o-problema-com-os-parabenos.html
http://www.scancos.com/documents/091105/Florian-Schellauf.pdf
http://ec.europa.eu/health/ph_risk/committees/04_sccp/docs/sccp_o_00d.pdf

3 Comentários
  1. Jamie Salcedo Diz

    É somente recentemente que eu conhece sobre parabenos (minha irmã me disse), quando ele me contou do uso do colorímetros. No início eu queria jogar minha maquiagem, mas artigos como este me fazer parar este erro. Saudações.

  2. Gustavo Boaventura Diz

    Jamie, não existem verdades absolutas, mas tentamos aqui ponderar os pontos de vista e as informações para que cada leitor tire suas próprias conclusões.

  3. Moryart Diz

    Sou farmacêutica, com pós-graduação em Cosmetologia e gostaria de parabenizá-los pela iniciativa.
    Embasando os argumentos em dados técnicos e artigos demostra credibilidade ao site e não apenas em achismo.
    Parabéns!

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