ANÚNCIO
Início Artigos pH da pele e o impacto do pH dos produtos na pele

pH da pele e o impacto do pH dos produtos na pele

A pele é o extenso órgão que protege nosso organismo do ambiente externo e exerce muitas funções de proteção. Formada por células que trabalham de maneira muito organizada para desempenharem seu papel com perfeição, a pele apresenta um comportamento único, com propriedades e desempenho específico de sua estrutura. As propriedades biomecânicas são propriedades físicas e biológicas da pele que podem ser avaliadas por meio de equipamentos laboratoriais nos fornecendo informações como teor de hidratação, oleosidade, grau de descamação, assim como o pH cutâneo, que será o assunto abordado a seguir.

Eletrodo medidor de pH cutâneo. Foto: Divulgação.

O pH é definido pela concentração de íons de hidrogênio livres em uma solução aquosa. O ponto neutro do pH é 7, e os valores máximos das faixas de ácido e alcalino são 0 e 14, respectivamente. O pH cutâneo é definido pelo valor de pH de substâncias do estrato córneo solúveis na água, como a presença de suor, sebo, substâncias produzidas por bactérias do microbioma ou micro-organismos externos. A concentração desses componentes hidrossolúveis pode alterar conforme idade, gênero e uso de cosméticos provocando assim alteração no pH da pele.

pH da pele ou pH cutâneo

O pH cutâneo é avaliado por meio de um eletrodo de pH, que permite contato uniforme com a superfície da pele a partir de uma interface aquosa. Os componentes solúveis extraídos do estrato córneo se difundem na interface aquosa do eletrodo, aplicado na superfície da pele, determinando os valores do pH da região analisada.

A faixa de pH cutâneo varia conforme a região do corpo, podendo atingir faixas entre 4,8, caso de regiões mais oleosas como cabeça, até 6,2 como axila, virilhas e pés. O pH cutâneo é considerado ácido, isso devido ao “manto ácido” ou “manto hidrolipídico” presente no estrato córneo (camada mais externa da pele) que tem como função auxiliar na proteção das camadas cutâneas, evitando entrada de substâncias do ambiente externo e perda de água e nutrientes da pele. O funcionamento equilibrado da barreira do estrato córneo é essencial para a manutenção de uma pele saudável; alterações neste processo contribuem para a desorganização da função da barreira cutânea, podendo acarretar no desenvolvimento de doenças da pele.

O que determina o pH da pele

Componentes lipídicos do estrato córneo, assim como secreções de glândulas sebáceas e sudoríparas contribuem para o pH da pele. Pode-se dizer que o pH ácido do estrato córneo é importante para o processo de deposição normal dos lipídios, uma vez que enzimas atuantes no processo de queratinização da epiderme são mais ativas em pH ácido, mais especificamente em pH 5,5. O pH ácido cutâneo também apresenta ação antifúngica, impedindo o desenvolvimento de bactérias patogênicas e mantendo equilibrado o microbioma cutâneo.

Vários fatores podem influenciar no pH cutâneo, como idade, etnia, curativos oclusivos e o uso de produtos tópicos, principalmente os relacionados à limpeza da pele como sabonetes e shampoos, por normalmente apresentarem pH mais alcalinos para a pele.

Fatores que influenciam o pH da pele

O uso de produtos com pH mais elevado que o pH cutâneo, como sabonetes, provoca um aumento do pH da pele em até 2 unidades, ou seja, se o pH cutâneo está na faixa de 5,5 o mesmo pode alcançar picos de 7,5 quando em contato com produtos mais alcalinos, levando cerca de 120 minutos para retornar ao seu estado de pH natural. Já ao utilizar sabonetes com pH fisiológico da pele, o aumento do pH é muito menor podendo atingir até 0,75 unidade, e 90 minutos para restaurar seu estado normal.

Estudos mostram que as mudanças no pH da pele podem interferir no aumento da perda de água transepidermal, colaborando para a desidratação cutânea; além de provocar alterações no microbioma cutâneo, o que pode ser prejudicial para indivíduos que possuam alguma doença de pele  como acne e dermatites. A bactéria Propionibacterium acnes começa a se desenvolver em pH 6-6,5 e atinge seu pico de proliferação em pH 7,5, já o fungo Candida albicans, responsável por causar candidíase, começa a se proliferar em faixas de pH 6.

Por esta razão o uso de produtos com pH fisiológico da pele pode ser uma solução para evitar alterações no pH cutâneo, como sabonetes líquidos e tônicos faciais. Os tônicos são uma ótima alternativa para auxiliar na restauração do pH cutâneo de forma mais rápida, uma vez que esses produtos normalmente apresentam pH na faixa de 4-4,5.

Sendo assim, é muito importante o cuidado adequado com cada região anatômica, uma vez que cada parte do corpo apresenta faixa de pH característica. O pH ácido da pele age como um antimicrobiano de defesa, que atua impedindo a colonização de bactérias patogênicas, auxiliando principalmente nas doenças cutâneas. Portanto, utilizar produtos com pH que respeite o pH fisiológico da pele irá ajudar na manutenção tanto da barreira protetora quanto do microbioma cutâneo.

 

Referências

HARRIS, Maria Inês Nogueira de Camargo. Pele: do nascimento à maturidade. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2016

Parra JL, Paye M. EEMCO Guidance for the in vivo Assessment of Skin Surface pH. Skin Pharmacol Appl Skin Physiol. Barcelona, 2003

PORTO, Carla. A microbiota da pele humana. HARRIS, Maria Inês Nogueira de Camargo. In: Pele: do nascimento à maturidade. São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2016. cap. 18, p. 195-210.

RUNEMAN, B.; FAERGEMANN, J.; LARKÖ, O. Experimental Candida albicans lesions in healthy humans: dependence on skin pH. Acta Dermato Venereologica, v. 80, p. 421–424, 2000.

SCHMID-WENDTNER, M.H.; KORTING, H.C. The pH of the skin surface and its impact on the barrier function, Skin Pharmacol. Physiol. 19 (2006) 296–302.

SEM COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Sair da versão mobile