Proibição dos microplásticos em cosméticos

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Vem caminhando nos Estados Unidos há muitos anos, um projeto de proibição das esferas de polietileno em Produtos de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos. Até o momento 9 Estados já proibiram o uso e o texto caminha para aprovação nacional. Sabemos bem o que isso significa, pois já vimos esse filme algumas vezes. As esferas de polietileno, ou microplásticos, serão proibidas em todo o mundo e o Brasil vai caminhar lentamente nesse sentido, vamos ter momentos de tensão e expectativa, pois o mercado ficará repleto de oferta e o custo desses ingredientes vai despencar (imagina, tem um ingrediente baratíssimo para incluir na sua fórmula, já pensou?), todos vão lançar produtos com esses ingredientes e quando forem proibido todos terão que retrabalhar para retirar esses microplásticos de seus produtos. OK, concordo que meu cenário foi bem apocalíptico, mas a minha visão disso tudo é, na verdade, bastante integrada. Esses ingredientes estão sendo proibidos por causa de seu impacto ambiental – e isso não é conversa de ecologista.

Esferas de polietileno, os microplásticos, formando um arco-íris multicolorido
Arco-íris de esferas de polietileno.
Foto: Nutdanai Apikhomboonwaroot / FreeDigitalPhotos.net

O que são microplásticos?

Os microplásticos são partículas poliméricas sintéticas cujo tamanho varia entre 1 e 5 milímetros (ou ainda tamanhos menores). A maioria são de polietileno, mas também podem ser de polipropileno. Devido ao seu tamanho, esses microplásticos são capazes de passar pelo sistema de filtragem das plantas industriais. Assim, não são filtrados nos processos comuns de tratamento de efluentes e são despejados no meio ambiente. A preocupação maior é que eles são capazes de impactar toda a cadeia alimentar, pois são ingeridos por plânctons, peixes e outros animais marinhos que confundem esses plásticos com alimento. Por fim, acabamos ingerindo esses microplásticos ao nos alimentarmos de peixes ou de outros animais que se alimentaram de peixes.

Esses ingredientes eram muito utilizados como agentes esfoliantes físicos em produtos esfoliantes. Já explicamos sobre os esfoliantes no Cosmética em Foco. Por essa razão, a tendência atual entre os fabricantes de cosméticos é a movimentação natural para as alternativas biodegradáveis (lembra que falamos sobre isso em 2015? Clique aqui para ver).

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Por que os microplásticos estão sendo proibidos?

Como já mencionado, as esferas de polietileno já foram proibidas em parte dos Estados Unidos. Lá, os fabricantes de cosméticos terão até janeiro de 2018 para se adaptarem à nova norma. Em Julho de 2015 o Canadá anunciou a intenção de também banir esses microplásticos e na União Europeia há uma recomendação de descontinuar o seu uso.

E no Brasil, quando vamos nos posicionar? Nós já possuímos alternativas biodegradáveis sendo oferecidas pelos fornecedores por aqui. Prefira elas. Já se antecipe e substitua as esferas plásticas em seus produtos, não espero ser proibido ou seu produto ser barrado em uma exportação. Só vamos fazer bem a todos, fabricantes, fornecedores, consumidores e meio-ambiente. Algumas empresas globais já declararam seus planos para eliminar microplásticos de seus produtos (ou mesmo já os eliminaram), tais como Unilever, Procter & Gamble, Johnson & Johnson, Beiesdorf, Colgate-Palmolive e L’Oréal.

Fontes:
GCI
Cosmetics Design
Plastic Free Seas

Atualizado em 18 de março de 2016.

3 Comentários
  1. […] Johnson & Johnson, Beiesdorf, Colgate-Palmolive e L’Oréal.   Fonte: Cosmética em Foco admin 10/03/2016 […]

  2. Dário Bizzo Diz

    Correção: o tamanho das partículas está entre 1 e 5 microns. Não milimetros. São ceras de polietileno. Estas partículas não são retidas em processos de tratamento de efluentes, e terminam por ir para rios e mares. Tem densidade menor que 1, portanto flutuam. Os peixes confundem estas partículas com alimento, e acabam ingerindo-as, e por sua vez, acabamos consumindo estas partículas através dos peixes.

    1. Cosmética em Foco Diz

      Muito obrigado pelo comentário Dário. Atualizamos parte do texto com suas sugestões, mas deixamos outras em seu comentário. Quanto ao tamanho das partículas, o autor do texto esclarece que inicialmente leu que se tratavam microns, mas as fontes efetivamente consultadas relatam milímetros. No entanto, o mais importante é que saibamos que plásticos com tamanhos menores que 5 milímetros oferecem risco ao meio ambiente e à saúde de toda a vida marinha e até mesmo à vida humana.

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