Apesar do trocadilho com o meme da “mente poluída” este post aborda um assunto sério. Certamente, seja como formulador ou como consumidor, você já se deparou com a dificuldade de se obter informações sobre os produtos cosméticos e suas listas de ingredientes. Ou você encontrou tantas informações que teve dificuldade para julgar a seriedade e a credibilidade do que leu por aí. Se por vezes este trabalho não é fácil para quem desenvolve o produto, imagine para o consumidor.

Como uma tentativa de fornecer aos consumidores um filtro sobre as informações legais e científicas disponíveis sobre os ingredientes cosméticos, começam a surgir aplicativos para plataformas móveis que permitem rastrear um produto antes de decidir comprá-lo (por exemplo, o Think Dirty). A simples ação de apontar a câmera do celular ou do tablet para o código de barras de um cosmético permite ao consumidor receber em segundos, uma avaliação numérica do potencial carcinogênico e alergênico, bem como da toxicidade reprodutiva, do somatório de ingredientes presentes numa fórmula. Tal avaliação é realizada com base em informações disponíveis na literatura, ponderadas por um comitê avaliador. Assim como nos demais aplicativos do gênero, a facilidade de se utilizar esta tecnologia e a praticidade de se obter as informações são grandes atrativos para os usuários.

Esta tecnologia promete o fortalecimento de um novo perfil de consumidor. Um perfil que já vem se desenvolvendo há algum tempo e que agora conta com mais uma ferramenta para se estabelecer. Estou falando do consumidor informado. O consumidor que sabe aquilo que está procurando, que está por dentro das polêmicas na indústria dos ingredientes e que é capaz de debater com os formuladores o que um cosmético deve ou não conter em sua fórmula. É de se esperar mudanças no relacionamento cliente-marca.

Contudo, para que esses aplicativos sejam de fato úteis e responsáveis com os consumidores, é preciso também compreender como é feita a avaliação e a seleção das informações que comporão a base de dados desses sistemas. Primeiramente, o consumidor interessado em recorrer a essas plataformas deve se informar sobre o processo de avaliação de um produto e sobre quem são os representantes do comitê avaliador. Dê preferência a aplicativos cujo comitê seja heterogêneo, isto é, formado por cientistas de diversas áreas do conhecimento, representantes de entidades ativistas, de instituições certificadoras e de autoridades regulatórias etc. Afinal, a falta de informação é tão grave quanto confiar em informações errôneas.