Desde o fim de 2018 a Reload Beleza Positiva vem ganhando a atenção do mercado com um modelo de negócios apoiado no que há de mais moderno em sustentabilidade, que é a economia circular e a preocupação ambiental por meio das embalagens. A empresa vende produtos para cuidados com os cabelos, envasados em garrafas de água mineral.

As embalagens servem à política de reduzir, reutilizar e reciclar, mas também têm o papel fundamental de ressaltar a principal mensagem defendida pela marca: o que importa é o que está dentro. O produto, que benefícios traz, que problemas resolve e de que maneira impacta o consumidor e o planeta.

Em entrevista para a in-cosmetics Latin America, disponibilizada com exclusividade para a Cosmética em Foco, Teodoro Brava, sócio da RELOAD, explica como este processo passa obrigatoriamente pela escolha dos ingredientes e o papel da matéria-prima no alinhamento com as tendências apontadas pela agência Euromonitor International para 2019, que incluem um público cada vez mais consciente e ávido por um mundo sem plástico.

 

A repercussão da marca é relativamente recente, mas vocês atuam desde 2013, correto?

Teodoro Brava: Na verdade a empresa passou por um reposicionamento. Eu entrei, justamente, para dirigir esta nova fase da marca com o Filipe Sabará. Ele lançou a RELOAD em 2013 com outras duas sócias. Depois disso, comprou a parte delas para seguir o sonho de vender cosméticos com embalagens reutilizáveis de água mineral, um conceito diferente do original, mas que preservava a qualidade dos produtos. Desde então, a fórmula passou por uma transformação positiva para melhor se alinhar ao propósito de cuidar do planeta. Por exemplo, foi retirado o silicone. Encontrar os fornecedores de qualidade para atender não só a formulação, mas a filosofia da marca, foi fundamental.

As embalagens da marca Reload são reutilizadas.
Foto: Divulgação.

Quando foi exatamente este reposicionamento?

Teodoro Brava: Em dezembro do ano passado. Estamos em uma fase bem inicial mesmo. Fomos bem surpreendidos pela reação do mercado. Sabíamos que era uma demanda do consumidor e que tínhamos o desafio de alcançar a qualidade, a performance que o público não deixa de lado e, ao mesmo tempo, fazer o bem. Coisas boas e não menos ruins. Por estratégia, ainda não podemos adiantar muito, mas este ano vamos lançar pontos de venda com uma proposta diferente. Tem muita coisa boa vindo por aí.

 

Hoje vocês trabalham com quantos produtos?

Teodoro Brava: Temos três e dezenas mais no “pipeline” para serem lançados em breve. Hoje são shampoo, condicionador e um kit com os dois. É uma linha unissex para todos os tipos de cabelo. Lançamos como um teste e, como a reação do mercado foi muito positiva, pretendemos desenvolver produtos e linhas mais específicas.

 

E como vocês medem estas reações em tão pouco tempo deste novo posicionamento?

Teodoro Brava: Sabíamos desde o começo que a proposta é bastante disruptiva. Eu acredito que contamos com o ativismo dos consumidores. Pessoas preocupadas com o todo, mas que também são ativistas delas mesmas, que cuidam da própria saúde. Quando dizemos que a RELOAD é a beleza positiva, não é só a ecológica. É a beleza de tudo. Queremos mostrar que é possível fazer o bem para o planeta e para o consumidor, considerando os impactos de suas ações. O mercado dá uma balançada com isso e já vemos outras empresas com passos nesta direção. De toda maneira, somos a primeira do mundo a reutilizar embalagens para vender cosméticos de alta performance. Vemos marcas com medo de trilhar este caminho porque o mercado é muito conservador. As pessoas geralmente pensam, pelo menos não tem parabeno ou sulfato, mas e a embalagem? A RELOAD é mais do que uma empresa de cosméticos. Somos ativistas, mesmo! Nossa ideia é mudar, romper, mostrar que é possível, sim, vender cosméticos de qualidade com responsabilidade socioambiental e trazer impactos positivos para toda a cadeia produtiva.

 

No site está explícito que, em relação aos produtos, o que importa é o que está dentro. Qual a importância da matéria-prima para a RELOAD e como vocês selecionam os ativos?

Teodoro Brava: Sim, o que está dentro resume tudo para nós. Com certeza temos que pensar em embalagens, tanto que isso nos levou a este novo posicionamento, nova proposta, mas não adianta a gente querer ser bonzinho. Se não entregamos performance, não vendemos. E é uma dificuldade grande buscar fornecedores que são alternativas aos comuns, onde estão 90% do mercado. Livres de sulfato, parabenos, silicone e testes em animais. As possibilidades são reduzidas, mais caras e de acesso muito mais difícil. Nós trabalhamos com óleo de moringa, proteína de quinoa, óleo de argan, complexo de aminoácidos e pró-vitamina B5. O ciclo para criar impactos positivos, entretanto, vai além. Com o óleo de moringa temos um fornecedor parceiro com quem desenvolvemos um projeto no Quênia e na Namíbia, onde trabalhamos com comunidades que estavam em posição de vulnerabilidade por questões de violência e instabilidade política. Eles fazem o plantio e o extrato do óleo. Então, sim, o que importa é o que está dentro.

 

Produtos com ingredientes naturais são uma tendência apontada há algum tempo por agências como a Euromonitor International. Vocês fazem este tipo de monitoramento?

Teodoro Brava: Com certeza. Além da minha especialização no setor, onde uso bastante essas bases de dados para fazer estudos de perfis, prospecção, etc., é de extrema importância porque os analistas concordam que o claim “natural” estava muito amplo e pouco definido. Afinal, o que seria o natural? Queremos nos distanciar de um discurso quase que mentiroso de “greenwashing”, onde só porque determinado produto tem 0,01% de substâncias de origem orgânicas faz bem, quando a ótica real é que 90% da composição não faz. Queremos nos distanciar disso. Não queremos fazer menos mal, queremos fazer realmente o bem.

 

Você sente que o consumidor está procurando mais informação para se resguardar e não cair nestas armadilhas?

Teodoro Brava: Eu acredito que sim. E acho ótimo porque eu também sou consumidor da RELOAD. Antes de lançar o produto eu perguntava para mim mesmo se como ativista eu usaria e se gostaria, já com esta proposta enraizada no meu comportamento. Nós trabalhamos com um nicho de mercado que é bem chave. São pessoas que têm a preocupação com o meio ambiente e com a própria saúde, mas que, neste momento, têm um poder aquisitivo mais alto e um acesso mais amplo à informação.

Teodoro Brava afirmou que visitará a in-cosmetics Latin America em 2019.

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