Ao que parece, a Shiseido, maior empresa de cosméticos do Japão e uma das maiores do mundo segundo o The Wall Street Journal, foi além da simples associação de estrelas musicais a perfumes. Sim, eles ousaram oferecer uma experiência auditiva em conjunto com a aplicação de seus produtos.

Não fica difícil entender a estratégia se pensarmos na filosofia da empresa: o conceito “omotenashi” (figura abaixo). A palavra, por si só, significa hospitalidade. Mas, para os japoneses, ela significa muito mais que isso. Refere-se a uma polidez elevada que faz com que os clientes se sintam respeitados e valorizados. E por que este conceito é tão importante? Há uma teoria de marketing (8:2) que afirma que 80% das vendas são geradas por 20% dos clientes. Assim, a qualidade do serviço faz com que o cliente se sinta satisfeito e a sua fidelidade decide o futuro da empresa. Esta satisfação é o resultado do conceito “omotenashi”. Vale destacar que não se pode escrever um manual ou ensinar nenhuma técnica de como empregá-lo, porque ele se baseia em um relacionamento individual e difere em cada situação. Ainda que seja difícil cultivar este conceito fora do Japão, a empresa mantém a mesma filosofia para suas filiais na China e na Europa. Eles reconhecem que sua maior força competitiva são os 5.000 “consultores de beleza” altamente treinados em técnicas de cuidados com a pele, uma vez que consideram o aconselhamento crucial para a satisfação dos consumidores.

Entendida a filosofia por trás da estratégia, vamos falar sobre o produto! A empresa desenvolveu o “Shiseido Omotenashi Sound”, software de música que visa aguçar a experiência do toque sobre a pele através da hospitalidade. O som de gotas de água evoca a sensação de hidratação, enquanto o conforto que se sente ao tocar delicadamente a pele é representado pela melodia suave. Ao melhorar a hospitalidade através de sons, este software permite que o cliente aprecie o conforto de técnicas de cuidados com a pele e sinta ainda mais intensamente o toque dos cosméticos.

A empresa aponta benefícios à pele, ao psicológico e também ao corpo como um todo. Os efeitos apontados como sendo reforçados pelo efeito do som foram:

1. Efeito sobre a pele: a maciez, a sensação de transparência e a sensação de hidratação;
2. Efeitos psicológicos: eliminação de um sentimento de ansiedade e de relaxamento; e
3. Efeitos no corpo como um todo: redução na pressão arterial e efeitos sobre o corpo todo, incluindo o hormônio do estresse (cortisol) e indicadores do sistema imunológico (imunoglobulina A).

Se você não tem a oportunidade ir até um “consultor de beleza” nos pontos de vendas da empresa no Japão (serviço disponível desde Novembro de 2015), o vídeo educativo abaixo com dicas e know-how sobre beleza foi produzido e disponibilizado para que os consumidores possam fazer o uso correto dos produtos em casa.

Sem sombra de dúvidas, o impacto mais significativo dos cosméticos está em trazer qualidade de vida a quem os procura. Ao agregar sons suaves ao processo de aplicação do produto, é improvável que exista alguém incapaz de relaxar diante da sensação mais aguçada do toque das mãos sobre a pele, mesmo em meio aos arranha-céus ocidentais. Mais que cosméticos e música, o pulo do gato desta inovação está na oportunidade da pessoa dedicar certo tempo exclusivamente para cuidar de si mesma. Para uma empresa que tanto valoriza a hospitalidade, eles inegavelmente estão no caminho certo.

Fontes:
Shiseido (site em inglês)
Japan-Product (site em inglês)

2 COMENTÁRIOS

  1. Não é somente a música que cria uma experiência sensorial com produtos, sabemos que aromas tb despertam está experiência… e que pouco visto as cores também nos trazem sensações de bem estar e experiencias que estão além de qualquer marketing. Quem é sinestésico como eu, sabe o que digo, tudo que nos rodeia é uma imersão de vivenciar experiências novas. Só basta prestarmos mais atenção.

    • Com certeza Helen! Obrigado pelo seu comentário.
      A proposta da empresa foi justamente promover uma experiência aos usuários de seus produtos. Achamos que essa matéria pode servir de inspiração para a indústria cosmética brasileira em buscar outros estímulos além do visual para atrair e reter clientes. Não seria ótimo?

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