Sustentabilidade – você quer pagar quanto?

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Fala-se muito sobre sustentabilidade no setor cosmético. Em geral, dá até a impressão que a sustentabilidade é algo novo, recém-descoberto, ou mesmo, que ser sustentável é ser inovador. No entanto, o tema já era discutido em 1960 e tornou-se popular a partir de 1987, com a publicação do Relatório Brundtland pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento. Na verdade, ao pé da letra, ser sustentável significa manter ou prolongar o uso produtivo de recursos e a integridade da fonte de tais recursos (note que não se trata apenas de recursos naturais!). Portanto, em tese, todo negócio nasce para ser sustentável. Afinal, um negócio que explora irresponsavelmente todos os recursos até a sua extinção, não terá o que negociar quando a fonte dos recursos estiver esgotada.

Contudo, não é à toa que quando se fala em sustentabilidade o próximo tema que vem à cabeça é o meio ambiente, já que foi em função disso que o conceito ganhou popularidade. E especialmente no Brasil, que tem a maior biodiversidade do planeta, a exploração sustentável dos recursos naturais é, ao mesmo tempo, um desafio e uma oportunidade. Mas o que se observa hoje no Brasil e no mundo é uma falta de consenso quanto ao que é ser realmente sustentável.

Tomemos como exemplo a cadeia de fornecimento do alfa-bisabolol. Conhecido por suas propriedades anti-inflamatórias, este ingrediente ativo pode ser extraído de plantas como a camomila ou a candeia, bem como ser sintetizado quimicamente. No Brasil, há um arranjo de empresas voltadas para a extração do óleo de candeia (uma árvore nativa da mata atlântica brasileira), o qual é utilizado como matéria-prima para a obtenção do alfa-bisabolol. A maioria das empresas de tal arranjo extrai o óleo seguindo apenas as exigências da legislação local (sim, a candeia tem uma legislação própria no Estado de Minas Gerais!), sem maiores preocupações. No entanto, entre essas empresas, observa-se uma iniciativa de obter certificações como a Ecocert ou o selo FSC, a fim de garantir práticas sustentáveis na exploração da candeia. Então, todas essas empresas fornecem o óleo da candeia para empresas de beneficiamento, as quais posteriormente fornecerão o alfa-bisabolol para as indústrias cosméticas. Com raras exceções, o óleo de candeia é negociado diretamente para as empresas cosméticas. Em resumo, é assim que esta cadeia se mantém no Brasil, o que na verdade é bastante semelhante a outras cadeias envolvendo produtos naturais (leia nosso texto sobre cosméticos naturais).

A questão é que a exploração sustentável da candeia não é simples, nem barata. A árvore pode demorar até 12 anos para fornecer o óleo em sua melhor qualidade e o cultivo requer condições específicas. E assim surge a divergência de conceitos em relação à sustentabilidade. De um lado, há empresas que levantam a bandeira de que é mais sustentável sintetizar o bisabolol para evitar a depredação e a extinção das árvores de candeia. De outro lado, há empresas que insistem no manejo florestal responsável e na agricultura orgânica como forma de extrair o óleo da candeia sem depredá-la ou extingui-la. Qual é de fato a melhor opção? A resposta pra esta pergunta depende de muitos fatores, inclusive, do montante que as empresas estão dispostas a investir.

Este ano, de 18 a 20 de setembro acontecerá em São Paulo a edição latino-americana da Sustainable Cosmetics Summit, organizado pelo Organic Monitor, e que será coberto pela equipe do Cosmética em Foco. Acompanhe o site para ficar por dentro das discussões relacionadas a este e a outros temas polêmicos do desenvolvimento sustentável.

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Atualizado em 20 de março de 2016.

1 comentário
  1. […] apenas este último!!! O Cosmética em foco já abordou sustentabilidade e você pode ler aqui e aqui). A Holonomics Education defendeu inclusive que “a chave da sustentabilidade é a […]

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