A grande maioria das pessoas se preocupa com os cabelos, e devemos mesmo ter cuidado com nossos fios, pois adquirimos os folículos pilosos quando ainda somos um feto de 22 semanas e não há formação de novos folículos ao longo da vida. O ciclo de vida do cabelo começa com o folículo vazio, em seguida passa pelas fases de crescimento, repouso e queda, retornando novamente ao folículo vazio. As fases acontecem simultaneamente e ao mesmo tempo, o que significa que neste exato momento você tem alguns fios crescendo e outros caindo.

Atualmente há apenas um tratamento estético reconhecido pelo FDA para tratar alopecia androgenética.
Foto: Freepik.com

A fase de crescimento dos fios (fase anágena) dura em média de 2 a 8 anos e o tempo de duração desta fase irá determinar o comprimento final dos cabelos. O repouso (fase catágena), dura em média de 2 a 3 semanas, nesta fase o fio deixa de crescer e a bainha (parte do folículo responsável por ejetar o fio para fora) começa a atrofiar. A fase de queda (fase telógena) compreende a atrofia do bulbo até o desprendimento do fio e dura em média 3 meses. De 9% a 19% dos fios encontram-se nesta fase.

Alterações na proporção de fios anágenos e telógenos levam a formação de alopecias. A alopecia mais comum é a alopecia androgenética (AAG), popularmente conhecida como calvície. Esta alopecia pode acometer homens e mulheres, sendo mais comum em homens. Geralmente a AAG tem início após a adolescência, costuma se agravar entre 18 a 30 anos e se estabilizar por volta dos 40 anos.

Atualmente os únicos medicamentos aprovados pelo FDA (Food and Drug Administration) como tratamento para AAG são o minoxidil e a finasterida. O Laser de baixa potência é o único dispositivo reconhecido pelo FDA para tratamento de AAG.

Laser de baixa potência (LBI)

A capacidade dos lasers para induzir o crescimento de pelos é observada desde 1967 quando um estudo observou o crescimento de pelos em ratos doentes após tratamento com LBI. O LBI parece modular a liberação da enzima 5-α-redutase e favorecer a liberação de fator de crescimento endotelial vascular, os quais possuem importante papel no crescimento do folículo piloso. Além disso, o laser é capaz de aumentar a síntese de ATP celular, melhorar a oxigenação e a vasodilatação no couro cabeludo, o que pode fornecer excelentes resultados ao ser associado ao uso tópico de minoxidil.

A terapia com LBI vermelho para tratamento de AAG pode ser realizada semanalmente, com doses de 2 joules por ponto, respeitando distância de 2cm por ponto para que não ocorra a sobreposição de doses, pois a dose de 4 joules não produz mesmo efeito que a dose recomendada.

Terapia capilar com laser vermelho de baixa intensidade
Foto: acervo Dra. Bianca Stocco.

Os estudos realizados demonstram aumento na contagem total de fios em um período de 16 a 26 semanas de tratamento. Em alguns casos o LBI pode ser utilizado até 3 vezes por semana.

Tratamentos capilares “off label”

Além do tratamento com minoxidil e finasterida e do LBI, ou da associação destes, existem tratamentos que embora não reconhecidos pelo FDA como tratamento para AAG, tem demonstrado eficácia no tratamento deste tipo de alopecia. Estes tratamentos tem sido associados aos tratamentos já aprovados para melhor resultado.

Mesoterapia

A mesoterapia capilar ou intradermoterapia, é um procedimento minimamente invasivo, caracterizado pela aplicação de ativos (vitaminas, aminoácidos, enzimas, vasodilatadores, antiandrógenos) e/ou medicamentos como minoxidil e finasterida diretamente na derme. A mesoterapia promove melhora expressiva na qualidade, textura e brilho do cabelo. Também favorece o crescimento do cabelo e o fim da queda dos fios. Pode ser utilizada como tratamento coadjuvante na AAG, mas só será efetivo se o tratamento ocorrer logo no início da manifestação da AAG, quando ainda existem folículos ativos para estimular.

Carboxiterapia

A técnica da Carboxiterapia consiste na administração de gás carbônico com fins terapêuticos. Seu mecanismo de ação envolve vasodilatação local, com aumento do fluxo vascular e da pressão parcial de oxigênio, promovendo melhora na nutrição celular e eliminação de toxinas, além de estimular o crescimento de um fio mais resistente à queda.

Microagulhamento

O microagulhamento no couro cabeludo pode ser feito de duas formas: “Com rolinhos de agulhas – o chamado roller – ou com dispositivos em forma de caneta. No início do tratamento são realizadas sessões semanais ou quinzenais e após os 4 primeiros meses de tratamento, o intervalo entre as sessões aumenta para a manutenção do resultado obtido.

O microagulhamento capilar é uma técnica ainda recente, com poucos dados na literatura. Desta forma os mecanismos de ação propostos são apenas sugestões, sem comprovação científica. Um dos mecanismos proposto seria o estímulo da liberação de fatores de crescimento com o agulhamento do couro cabeludo. Estes fatores participam da sinalização e regulação da proliferação celular, necessária para o crescimento e reparação tecidual.

Nesse sentido, o estímulo à reparação tecidual desencadeado pelas lesões do microagulhamento liberaria fatores de crescimento que poderiam criar um ambiente propício para o crescimento das células foliculares do cabelo.

Além disso, as lesões provocadas pelas agulhas também induziriam a formação de novos vasos sanguíneos, melhorando a irrigação do couro cabeludo, e consequentemente o aporte de nutrientes para a região.

Além da liberação de fatores de crescimento e de melhora na irrigação e nutrição do couro cabeludo, existe o Drug Delivery que o microagulhamento proporciona, pois as agulhas perfuram o couro formando canais para permeação de ativos como vitaminas, aminoácidos e até medicamentos como minoxidil e finasterida.

Terapia com plasma rico em plaquetas (PRP)

Apesar de ainda serem poucas as publicações que falam sobre o uso de plasma rico em plaquetas (PRP) no tratamento de quedas capilares, é um fato que este método parece ser de alguma valia na recuperação de pacientes após transplante de cabelos ou mesmo quando o tratamento com o PRP é apenas uma proposta do médico que atua na área clínica. O método do PRP implica na utilização do plasma rico em plaquetas, uma porção do plasma do sangue do próprio paciente com alta concentração de alguns fragmentos celulares chamados de plaquetas O plasma rico em plaquetas é obtido após a centrifugação do sangue que é coletado pouco antes desse processo e que será preparado com alguns reagentes para sua utilização na área tratada na forma de gel, ou que poderá ser injetado no próprio couro cabeludo dos pacientes. As plaquetas são estruturas ricas em substâncias químicas com diversas funções em nosso corpo, entre elas os fatores de crescimento. Em 2006, o cirurgião Carlos Uebel, defendendo sua tese de doutorado na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, apresentou uma proposta de uso do PRP para a imersão de enxertos com folículos pilosos que seriam utilizados para a implantação nas áreas calvas de pacientes que se submetiam a transplantes capilares. Os resultados apresentaram uma diferença positiva de 13,6% em comparação aos enxertos não tratados com o PRP.
É importante lembrar que esta técnica ainda NÃO foi aprovada pela ANVISA, logo tudo o que foi observado são dados oriundos de trabalhos científicos realizados em Universidades para avaliar a eficácia do PRP.

Em um quadro de AAG, o indivíduo deve procuarar tratamento enquanto possui folículos ativos para serem estimulados. Outro fator importante é que a manutenção do tratamento deverá ser feita periodicamente, pois a AAG tem controle, mas por ter herança genética, não tem cura.

https://blog.carreirabeauty.com/conheca-as-vantagens-da-mesoterapia capilar/#.XSIhwOtKjIV

//https://clinicadoppio.com.br/microagulhamento-capilar/\\

Trabalho de Conclusão de Curso. LUCIANA GISELE MELO RIBEIRO TRATAMENTOS PARA ALOPECIA ANDROGENÉTICA FEMININA. Brasília 2017.

Afifi L, Maranda EL, Zarei M, Delcanto GM, Falto-Aizpurua L, Kluijfhout WP, Jimenez JJ. Low-level laser therapy as a treatment for androgenetic alopecia. Lasers Surg Med. 2017 Jan;49(1):27-39

Leite Júnior, Ademir Carvalho.Queda capilar e a ciência dos cabelos : reunião
de textos do blog Tricologia Médica / Ademir Carvalho Leite Júnior. – São Paulo : CAECI,2013.

Fabiana Padovez. Fisioanatomia dos Cabelos. Apostila de curso ministrado no ano de 2017.

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