Um olhar macro sobre tensoativos

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A química das moléculas é tão pequena que passa despercebida aos olhos ao decorrer do dia e aonde menos esperamos podemos ver sua beleza. Quando olhamos o vidro da janela com gotículas de água estáticas, ou o movimento de um inseto pela superfície da água sem afundar, podemos imaginar uma teoria dentro da química, a qual é explicada pela tensão superficial.

Esta tensão superficial tem ação em vários tipos de superfície, seja ela sólida, líquida ou gasosa, as quais são estados físicos que dependendo das intempéries externas ou internas podem sofrer alterações em seu estado natural.

Existem superfícies de mesmo estado físico ou diferentes, por exemplo óleo e água, que não se misturam e é nessa causa que atuaremos neste artigo.

Os tensoativos, ou surfactantes derivado do inglês surface active agent, são compostos por duas estruturas, uma hidrofílica (afinidade com a água) e lipofílica (afinidade com o óleo).

Superfícies de gotículas de água são ponto de ação de tensoativos.
Tensoativos agem em superfícies como em gotículas de água.
Foto: rakratchada torsap / FreeDigitalPhotos.net

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Estes agentes que atuam em superfícies possuem capacidade de alterar a tensão superficial ou interfacial de um sistema, as quais são geradas por superfícies não homogêneas e/ou diferentes formas físicas (sólido, gasoso, líquido).

A função ligada à carga estática esta relacionada diretamente relacionada ao tensoativos, os quais possuem 4 tipos de classificações, são eles:

Tensoativos aniônicos

Para os shampoos tradicionais o tensoativo principal utilizado é o de caráter aniônico, o qual apresenta carga negativa no grupamento polar (cabeça) em solução aquosa.

Suas maiores características perante aos outros tensoativos são de detergência para remoção dos resíduos da superfície do cabelo (poluição, build-up, sebo natural) e poder de espuma como fator psicológico de limpeza.

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Estrutura esquemática de tensoativos aniônicos.

Alguns exemplos de tensoativo aniônico usados em produtos no mercado são:

  • Lauril Éter Sulfato de Sódio (Sodium Laureth Sulfate);
  • Lauril Sulfosuccinato de Sódio (Disodium Laureth Sulfosuccinate);
  • Lauroil Sarcosinato de Sódio (Sodium Lauroyl Sarcosinate);
  • Lauril Éter Sulfato de Amônio (Amonium Laureth Sulfate).

Tensoativos catiônicos

Para os cremes condicionadores, máscaras, manteigas e leave-in em geral são utilizados os tensoativos catiônicos, com carga positiva na parte hidrofílica.

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Estes tensoativos apresentam boas propriedades emulsionantes para o produto e aplicados conferem neutralização da carga negativa gerada pelo shampoo, ou seja, reduzem a carga eletrostática.

Estrutura esquemática de tensoativos catiônicos.

Segue abaixo alguns exemplos:

  • Cloreto de Cetrimônio (Cetrimonium Chloride);
  • Cloreto de Behentrimônio (Behentrimonium Chloride);
  • Metosulfato de Behentrimônio (Behentrimonium Methosulfate);
  • Cloreto de Esteralcônio (Stearalkonium Chloride).

Tensoativos não-iônicos

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Esta classe de tensoativos não contém carga positiva ou negativa na cabeça do tensoativo e pode ser utilizado em diversas aplicações. Na maioria delas são utilizados como emulsionantes em formulações de cremes e loções.

Os tensoativos não-iônicos são utilizados para modificar o agente de limpeza principal, como doadores de viscosidade ou espessantes, solubilizantes auxiliares, emulsificantes, estabilizantes de espuma e, em alguns casos, redução de irritação dérmica e ocular.

Veja alguns exemplos dessa classe:

  • Cocamidopropil Amina Óxida (Cocamidoproylamine Oxide);
  • Lauril Poliglucosídeo (Lauryl Glucoside);
  • Decil Poliglucosídeo (Decyl Glucoside);
  • Polisorbato 80 (Polysorbate 80).

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Tensoativos anfóteros

Apresentam carga negativa e positiva na cabeça da estrutura do tensoativo e sua função não é somente detergência, pois depende do pH para ter a função definida e a função é também como menor sensibilização dérmica e ocular.

Estrutura esquemática de tensoativos anfóteros.

São eles:

  • Cocamidopropil betaína (Cocamidopropyl Betaine);
  • Coco betaína (Coco Betaine);
  • Cocoanfodiacetato de sódio (Sodium Cocoamphodiacetate);
  • Cocamidopropil hidroxisultaine (Cocamidopropyl Hydroxysultaine)

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Com este banco de dados sobre o conceito de tensoativos, suas classificações e exemplos, será possível ter uma ideia das aplicações em cada produto no dia-a-dia.

Já o conhecimento mais aprofundado dentro de cada classe de tensoativo é tão extensa quanto o nosso aprendizado durante toda a vida.

Como a experiência com esta área da química também demanda por busca e dedicação, indicamos grandes referências no subtítulo abaixo e, ainda por cima, as inovações em tensoativos são cada dia maiores.

Referências Bibliográficas:
Corrêa, Marco Antonio – COSMETOLOGIA Ciência e Técnica, 1ª Edição, 2012;
Daltin, Décio – TENSOATIVOS Química, propriedades e aplicações – Ed. Blucher, 2011;
Farn, Richard J. – Chemistry and Technology of Surfactants – Ed. Blackwell Publishing;
Hubbard, Arthur T. – Surfactants In Personal Care Products And Decorative Cosmetics, 3rd Ed. – Ed. CRC Press;
Holmberg, Krister – NOVEL SURFACTANTES: Preparations, Applications and Biodegradability, 2nd Ed., Ed. Marcel Decker, Inc.
1 comentário
  1. Júlio César Pires Diz

    Excelente artigo. Parabéns João Victor.

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