Uso da cafeína em cosméticos

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Tem-se falado muito sobre cafeína e metilxantinas em produtos cosméticos recentemente. Vide a onda de produtos com chocolate, café o capuccino. O estudo das metilxantinas no tratamento tópico, no entanto, não é acontecimento recente.

Em 1998, Doucet e colaboradores publicaram um estudo que avaliava a liberação de cafeína em emulões óleo em água (O/A) e emulsões múltiplas água em óleo em água (A/O/A). Utilizando modelos in vitro, os pesquisadores descobriram que a absorção da cafeína foi menor na preparação A/O/A.

Em um estudo caso-controle mais recente, Brandner e colaboradores estudaram o efeito de um gel de hidroxietilcelulose (HEC) contendo 0,5% de cafeína durante sete dias e observaram que a perda de água transepidérmica não foi diferente entre homens e mulheres, mas a aplicação de cafeína tópica reduziu significativamente essa perda nos homens. Eles concluíram que a cafeína é benéfica na manutenção da barreira cutânea nas peles masculinas, influenciada principalmente pela ação de androgênios (testosterona e diidrotestosterona).

Koo e companheiros, publicaram este ano um estudo em ratos sugerindo que a aplicação tópica de cafeína após exposição à radiação ultravioleta (UV) promove diminuição do dano ao DNA dos queratinócitos e podem diminuir parcialmente os danos causados por essa radiação, bem como a carcinogênese (formação de câncer).

Por fim, Chorilli e colaboradores observaram que quanto maior a viscosidade do veículo, menor a velocidade de liberação da cafeína. Eles compararam géis de Carbopol®940 (BF Goodrich) a 1% e 1,5% (além do polímero, as formulações apresentaram propilenoglicol, álcool etílico, fenoxietanol e parabenos, tampão acetato de sódio 0,1 M e trietanolamina). Assim, este pode ser o veículo de escolha quando se quiser uma formulação de “liberação imediata” ou de “liberação controlada” do ativo.

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No entanto, reforçando a cautela com essa substância em cosméticos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária publicou em 29/06/2002, o Parecer Técnico no 1. Neste documento consta que a cafeína, isolada ou sob forma associada, em preparações cosméticas, deve ser utilizada no teor máximo de 8% expresso em cafeína. Da mesma forma, é limitado a 4% o teor de metilxantinas, isoladas ou sob formas associdas, expressas em sua respeciva xantina. Esses produtos, por sua vez, deverão ser registrados junto ao órgão como grau de risco II.

Opinião do autor: devemos ser cautelosos sobre a aplicação de cafeína em produtos pós exposição ao sol, pois os estudos realizados foram em animais. Ainda faltam estudos clínicos para comprovar se esse uso da cafeína traz mais benefícios que riscos potenciais.

Saiba mais:
(1) Doucet, O.; Ferrero, L.; Garcia, N.; Zastrow, L. O/W emulsion and W/O/W multiple emulsion: physical characterization and skin pharmacokinetic comparison in the delivery process of caffeine. International Journal of Cosmetic Science 20, 283–295, October, 1998.
(2) Brandner, J. M.; Behne, M. J.; Huesing, B.; Moll, I. Caffeine improves barrier function in male skin. International Journal of Cosmetic Science. 28(5):343-347, October 2006.
(3) Koo SW, Hirakawa S, Fujii S, Kawasumi M, Nghiem P. Protection from photodamage by topical application of caffeine after ultraviolet irradiation. Br J Dermatol. 2007 May;156(5):957-64. Epub 2007 Mar 28.
(4) Chorilli, M. et al. INFLUÊNCIA DA VISCOSIDADE DO VEÍCULO NA LIBERAÇÃO IN VITRO DA CAFEÍNA. Disponível em Acesso em 30/09/2007.

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